Em entrevista à BBC (British Broadcasting Corporation) News Mundo, o neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França alerta: “Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento”.

Com dados concretos e de forma conclusiva, expõe como os dispositivos digitais estão afetando seriamente — e para o mal — o desenvolvimento neural de crianças e jovens. “As evidências são palpáveis: já há um tempo que o testes de QI têm apontado que as novas gerações são menos inteligentes que anteriores.”

Não estamos falando de um neurocientista qualquer, mas sim de alguém que já passou por centros de pesquisa renomados como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Seus estudos concluem que os jovens de hoje são a primeira geração da história com um QI (Quociente de Inteligência) inferior ao dos pais, uma tendência que foi documentada na Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda, França.

Vários estudos têm mostrado que quando o uso de televisão ou videogame aumenta, o QI e o desenvolvimento cognitivo diminuem. Os principais alicerces da nossa inteligência são afetados: linguagem, concentração, memória, cultura. Em última análise, esses impactos levam a uma queda significativa no desempenho acadêmico.

“São, em média, quase três horas por dia para crianças de 2 anos, cerca de cinco horas para crianças de 8 anos e mais de sete horas para adolescentes. Isso significa que antes de completar 18 anos, nossos filhos terão passado o equivalente a 30 anos letivos em frente às telas ou, se preferir, 16 anos trabalhando em tempo integral!” É simplesmente insano e irresponsável afirma o neurocientista.

As causas também são claramente identificadas: diminuição da qualidade e quantidade das interações intrafamiliares, essenciais para o desenvolvimento da linguagem e do emocional; diminuição do tempo dedicado a outras atividades mais enriquecedoras (lição de casa, música, arte, leitura; perturbação do sono, que é quantitativamente reduzida e qualitativamente degradada; superestimulação da atenção – levando a distúrbios de concentração -, aprendizagem e impulsividade; subestimulação intelectual – que impede o cérebro de desenvolver todo o seu potencial – e o sedentarismo excessivo que, além do desenvolvimento corporal, influencia a maturação cerebral.

Com o pensamento negacionista em evidência, interesses econômicos e financeiros poderosos bradarão aos quatro ventos tratar-se de mais uma sirene alarmista (a prejudicar seus negócios). Não é! É ciência!

Sugiro, portanto, a leitura na íntegra da entrevista do Dr. Michel Desmurget acessando

https://www.bbc.com/portuguese/geral-54736513

email – radeathayde@gmail.com