São 195 os países independentes. O número de países com voto compulsório para eleger seus representantes é de apenas 31. Destes, 14 estão na América Latina, Brasil incluso. Ou seja, apenas 15.9 % dos Estados do planeta optam por esse sistema.

         Se o voto não fosse obrigatório este país certamente teria um perfil político transparente. Não me parece democrático obrigar-se alguém a votar. E ainda punir severamente os “insubmissos”. Se alguma razão existe, eu a desconheço.

         Nos Estados Unidos, como sabemos, não existe a obrigatoriedade. Apesar de possuirem um sistema eleitoral complicado e a meu ver injusto, os cidadãos apenas votam se estiverem convencidos de que deverão fazê-lo, por opção. A campanha do candidato democrata Joe Biden arregimentou uma extrbaordinária força de eleitores, de sindicalistas a estudantes universitários inclusive, que se dispuseram a votar porque acreditaram nas mensagens. Não foram obrigados, mas fizeram uso do direito democrático, opcional, de votar.

         A obrigação de votar por aqui – não o direito apenas – serve para facilitar a eleição de não poucos que buscam a imunidade constitucional para dar-lhes foro privilegiado quando – e se – suas falcatruas forem julgadas. 

         Acredito que com o voto facultativo a politização de nosso povo seria abrangente pois o processo de conscientização política, inevitável. O interesse por eleições, e consequentemente votar, se daria na medida em que propostas fossem consistentes e aceitas como legítimas. Caso contrário, a sociedade se manifestaria através do silêncio. E o recado estaria dado!

         A propósito: o Manual do Candidato às Eleições, escrito em 64 a.C, em Roma, por Quinto Túlio Cícero ensinava: “Você deve constituir amizades de todos os tipos: nomes ilustres, os quais conferem prestígio ao candidato; magistrados, para garantir a proteção da lei… Isso requer conhecer as pessoas de nome, usar de certa bajulação”.

         Nada mudou desde então!

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