Nos últimos dias o mundo vem contabilizando número crescente de casos e consequências letais elevando a preocupação de agentes de saúde, infectologistas e OMS com a despreocupação com que populações – em todos os países – estão encarando as festas de Natal e celebrações de Ano Novo.

Por aqui, as medidas restritivas para o período ainda enfrentam resistência por parte do governo federal e seus apoiadores. Um crime!

Às populações não faltam dados e informações. O assunto é prioridade nas mídias. Mas enquanto viagens de Ação de Graças nos EUA bombaram, enquanto mais de um milhão de pessoas se juntou no velório de Diego Maradona, enquanto cariocas e paulistas lotam praias a perder de vista, cresce o grau de potencialização do vírus lotando leitos de UTI, sobrecarregando médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde até a exaustão.

Não se discute se uma população cansada merece abrir válvulas de escape para aliviar tensões; se merece dar vazão a seus instintos e anseios; se merece ser olhada com condescendência. Como ser gregário o homem – e a mulher, por óbvio – tem enorme dificuldade de viver isolado, apartado de seu bando. Compreensível o comportamento, mas a um custo cada vez mais elevado para inocentes incautos.

Não têm consciência de que estamos vivendo uma guerra real que ceifa vidas diariamente, destrói economias, desajusta seres humanos inconscientemente, levando a comportamentos esdrúxulos. A adaptação a uma nova realidade que pode não estar totalmente resolvida com vacinas de expectativa trará consequências outras de “pós-guerra”. Como em qualquer conflito bélico você entra nele como um e dele sai como outro!

Transferiu-se a responsabilidade e coordenação de medidas cautelares e de contenção da pandemia a governadores e prefeitos em grande parte carentes de recursos humanos, materiais, tecnológicos, econômicos. Somos um país que engloba culturas díspares, inculto por natureza, fácil de ser manipulado por meios de comunicação até recentemente estranhos. Uma população desorientada por notícias dispares de todos os lados vem pagando a conta com suas vidas. Perdas que caminham para 200 mil!  

A equação controle da pandemia x proteção das economias x preservação da sanidade mental da população, acrescida dos abomináveis interesses políticos sem nome, não é de fácil solução.

Mas estamos em guerra não declarada, aguardando que as vacinas – ainda que sob o jugo da politicagem – possam vir a ser o nosso Plano Marshall (o de recuperação econômica da Europa após a II Guerra Mundial)

Por tudo isso, e mais uma vez, cabe a indagação: “Até que ponto você é responsável pela irresponsabilidade de seu semelhante?

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RAdeATHAYDE