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Categoria: Acontecimento (Page 1 of 6)

Este o mundo que estamos a viver #602

Os assuntos dominantes desde o fim da semana passada foram o debate entre os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos – Donald Trump e Joe Biden – e a contaminação do primeiro pela Covid-19. O debate, de uma pobreza franciscana, mas de uma agressividade “trumpiana” de um lado – e a apatia do oponente que pretende ser o homem mais poderoso do mundo do outro – é uma demonstração de como a sociedade mais rica do planeta trata de temas que afligem toda a humanidade.

Seiscentésima #600

Durante os últimos 12 anos – semanalmente – apreciações, análises, avaliações tem sido aqui externadas na tentativa de levar aos leitores ponderações sobre temas do momento, igualmente espelhados no blog Ponderando, que tem como filosofia “acreditar na magia da palavra escrita como elo de aproximação entre pessoas que comungam de um mesmo pensamento e fonte de oportunidades para reflexão de outras tantas que assim não pensam.”

Trata-se, portanto, de uma avenida de duas mãos. Consciente ou inconscientemente somos todos influenciados pela leitura. A palavra escrita tem o poder de formar opiniões – ou deformar informações – nos tornar críticos e reflexivos, com alcance profundo no direcionamento de nossas vidas.

 Uma palavra mal verbalizada pode ser apagada pelo tempo. A escrita, jamais! Não por outra razão a responsabilidade que recai sobre quem escreve não pode nem deve ser minimizada. Parafraseando Saint-Exupèry, em seu “O Pequeno Príncipe”: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que… escreves”. Consciente ou inconscientemente somos todos influenciados pela leitura.

O desenvolvimento tecnológico – incrementando velocidades e reduzindo tempos em todas as atividades – vem transformando o perfil do leitor. Publicações digitais ampliam o universo da leitura ampliando também a gama de opções em um único lugar. Portas mais largas abertas para os aficionados.

 O ato de ler não é um ato solitário. A interação entre autor e leitor é intrínseca. A procura por informação, conhecimento ou diversão cria uma cumplicidade ainda que temporária entre eles. A aprovação – ou rejeição – com exceções, permanecerá reservada. Mas, certamente, ambos permanecerão ativos ainda que, eventualmente, em condições diversas.  

 Esta coluna está comemorando sua seiscentésima edição.

Tem resistido ao tempo sem qualquer esforço ou obrigação, assim como o blog que lhe deu origem. A parceria com o JC tem sido incondicional, respeitosa, dentro dos preceitos que regem o bom jornalismo.

 A você, leitor, leitora, ao Jornal Cidade de Holambra, obrigado por fazerem parte de nossa história.      

 e-mail – radeathayde@ponderando.com.br

 

 

Brasil em Chamas #599

O ocupante do Palácio da Alvorada, em Brasília, afirmou que a pressão internacional por medidas para conter o aquecimento global seria um “jogo comercial”. Comentário feito durante a Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP-25, realizada em Madri (2019). E mais: “Essa história de que a Amazônia arde em fogo é uma mentira”, disse o presidente em discurso durante encontro com outros mandatários da América do Sul para discutir a preservação do meio ambiente.

Faz coro com o também ocupante da Casa Branca, em Washington, D.C que retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, acordo histórico das Nações Unidas contra o aquecimento global (celebrado por 195 países, em dezembro de 2015), alegando entre outras que as mudanças climáticas eram uma farsa inventada pela China para prejudicar a indústria americana…

Jogando para suas torcidas, ambos os ocupantes tem olhar fixo no futuro. Um com jogo marcado para novembro próximo e o outro para outubro de 2022. Mas para ambos a ambição política supera quaisquer outros interesses: inclusive o da preservação da saúde de seus compatriotas.

No Brasil, números alarmantes fornecidos pelo INPE registram 133.974 focos de incêndio acumulados em todo país entre 1º de janeiro e 14 de setembro, um aumento de 13% em relação ao ano passado; só na Amazônia são 64.498 focos de pontos de queimadas.

Não bastasse, um incêndio está queimando desde meados de julho no Pantanal, deixando rastro enorme de destruição em uma área maior do que a cidade de Nova York, um recorde de 23.490 quilômetros quadrados queimados até 6 de setembro.

O morticínio de espécies da flora e fauna – muitas em extinção – causado pela devastação de incendiários que atingem também a saúde da espécie humana parece não sensibilizar os (ir)responsáveis por políticas públicas responsáveis.  

São homens cegados pelo poder, obsessivos, desprovidos de sentimentos por animais, natureza e – por que não? –  por seus semelhantes, capazes de iludir a boa-fé de seus concidadãos, com falácias e hipocrisias.

A definição de homo sapiens como homem sábio, ser humano, ser pessoa, certamente não se aplica a esse tipo de gente abjeta.

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email: radeathayde@ponderando.com.br

Homenagem à Vida #598

A história, verídica, passou-se durante a segunda guerra mundial.

Um bombardeiro B-17 da Força Aérea dos Estados Unidos, em zona de término de combate, com um artilheiro morto e outros seis tripulantes feridos a bordo, além de dois motores destruídos, escapa em direção à sua base quando se emparelha com ele, asa com asa, um caça, mas com a suástica pintada na fuselagem.

Os pilotos trocam olhares fixos. O piloto alemão faz um gesto com a mão sugerindo ao piloto americano que prosseguisse em seu caminho batendo continência, no que foi correspondido da mesma forma. A seguir, dá meia volta enquanto o americano continuou em seu retorno à salvação.

Guerras, como pandemias, sempre tem princípio e fim. Talvez, na cabeça de ambos os pilotos, após o gesto de respeito pelo outro, tenha lhes passado a visão de que terminado o conflito bem poderiam, por obra do destino – caso sobrevivessem – encontrar-se por acaso na Hofbräuhaus, mais famosa choperia de Munique ou visitando o Metropolitan Museum em Nova York.

Não menos conscientes de que – como militares treinados e cumprindo ordens – mataram muita gente do outro lado. Mas naquele momento único falara mais alto o ser humano, o respeito pelo outro que como ele deixara em casa uma família à espera de sua volta.

Pandemias, como guerras, tem sempre princípio e fim. Não há quem não seja afetado direta ou indiretamente por elas. Inúmeros os que sofrem perdas irreparáveis causadas por desvarios de homens encastelados no poder que em sua ambição desmedida se julgam acima do bem e do mal.

A história do “day after” vem se repetindo através da história e por isso, de tempos em tempos e por triviais razões – poder, ambição, fanatismo – a temperatura sobe, levando homens insensatos a fazerem a cabeça de milhares, milhões de pessoas, induzidas por máquinas de convencimento emocional quando não por ideias fratricidas, genocidas, racistas.

Passados os vendavais, a tormenta, os que se odiavam novamente se dão as mãos, sempre diante de novos tempos, por falta de opção ou interesses em curso.

E parodiando o gênio que foi, Charles Chaplin: “Se matamos uma pessoa somos assassinos. Se matamos milhões de homens, celebram-nos como heróis.”

Minha homenagem aos pilotos dessa história! E à preservação da Vida!

email – radeathayde@ponderando.com.br

Aglomerações: gatilho de efeito retardado? #597

Difícil, ainda sob a tutela da pandemia da covid-19, fugir de temas a ela relacionados principalmente se você estiver confinado em casa e ser enquadrado na categoria alto risco. Não são poucos os que se encontram nessa situação, mas muitos, inúmeros, os que estão nem aí. Aglomerados em praias, bares e baladas, por ignorância ou incompreensão, mas não por desinformação, esses milhares de indivíduos espalhados por todo o país podem estar se transformando em armas letais de efeito retardado. Ou suicidas em potencial!

Muito tem se discutido e lido sobre este tipo de comportamento. Mas parece que uma força maior que a do bom senso ou, pelo menos, a de respeitar a dúvida, prevalece principalmente entre os mais jovens, aqueles que se julgam eternos e a prova de tudo. 

Afinal, em algum momento, devem ter se dado ao trabalho de fazer uma continha e concluíram que, se são 26 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo (população 7,5 bilhões) a proporção de óbitos em relação a população do planeta é de 0,033. Ora, no Brasil essa proporção (óbitos/infectados) é de 0,031 na data de hoje (31/8), bem próxima da mundial. Então?

Então a conclusão que se poderia tirar desse raciocínio é que as circunstâncias por aqui não parecem ser mais graves que no resto do mundo, apesar de na Europa a situação ter ficado mais alarmante durante muito tempo e as condições, por lá, de prevenção severas e controladas por um longo período.

Ora, dir-se-ia então que a flexibilização indiscriminada, independente, autorizada pelas autoridades municipal ou estadual, aqui, estaria “compatível” com as regras duras estabelecidas em outros países, haja vista os resultados alcançados até o momento…

Como autoridades sanitárias, governos e cientistas ainda estão aprendendo sobre o comportamento do vírus, somos obrigados a conviver com os que arriscam suas vidas – e as de seus semelhantes, “por tabela” -, dando um exemplo descompromissado com o desconhecido.

Mas um dia, passado esse episódio – que está transformando o comportamento de todos nós, seja na forma de se relacionar, de educar, de conduzir os negócios, na valorização da vida – terá seu peso avaliado pelos sobreviventes.

Eis que a vida sempre segue seu curso!

E a pergunta que deveríamos ter em mente no momento, sem qualquer discurso, é como pensamos a vida e como trata-la: a própria e a dos semelhantes.

Aqueles seres muito simples e pequenos, formados basicamente por uma cápsula proteica envolvendo o material genético, que chamamos de vírus, ainda “dão um baile” nos seres ditos inteligentes: nós!

Portanto, cuide-se!

email radeathayde@ponderando.com.br

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Saia do seu Casulo #596

Com milhões de telespectadores em todo o mundo assistindo à final do jogo de futebol do ano – “Champions League“ – entre Bayern de Munique (Alemanha) e o badalado clube francês PSG, encerramos mais uma semana, com a população enfrentando os efeitos da pandemia, cada segmento da sociedade enfrentando-a a seu ver ou crer, a vida política transgredindo um mínimo de ética, as falácias midiáticas iludindo os mais despreparados em uma guerra sem fim.

Entrar no mérito de qualquer uma dessas questões leva a interpretações estéreis, passiveis de contestações, não contribuindo em absolutamente nada para desopilar o fígado dos mal humorados nem alegrar mais a vida daqueles que com ela estão de bem.

Não tenho ideia do número de brasileiros confinados em casa respeitando a orientação das autoridades sanitárias. Qualquer que seja ele, a vida dessas pessoas não tem sido fácil, especialmente aquelas com crianças – sempre irrequietas – e idosos muitas vezes distantes de seus familiares.

A vida de cada um de nós nunca foi – nem é – uma planície. Mas em momentos como os que estamos a enfrentar é inevitável que tenhamos todos, creio que sem exceção, “conversado com nossos botões” questionado certezas e incertezas, revisado posicionamentos – até secretos – e, quem sabe, dando um novo rumo em suas vidas.

Aliás, a julgar-se pelas notícias otimistas, são inúmeros os casos de pessoas que se reinventaram partindo para atividades díspares das habituais mudando o viés da perspectiva. Talvez seja por isso que em algumas situações análogas tenha surgido o ditado “a necessidade é mãe da invenção “.

Quero crer que, para muitos, portas se abriram motivando desalentados a “partir para a briga” em uma contaminação saudável.  Afinal não seria absurdo lembrar o que todos sabemos, – mas insistimos em, compreensivamente, mascarar – olvidando que a vida é hoje, o amanhã é incerto, a idade não é privilégio nem tão pouco obstáculo.

A saúde é primordial e a covid-19 mais um desafio a enfrentar entre tantos que assolam a humanidade. Assim, cuide-se!

E se puder, fique em casa, mas saia do seu casulo.

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“ALL LIVES MATTER” (Todas as vidas importam)

O deplorável episódio envolvendo a morte de um homem negro – George Floyd – por um policial branco, em Minneapolis (EUA), em 25 de maio último, trouxe revolta e inconformismo mundo afora pela brutalidade e violência usadas naquela que deveria ter sido apenas uma abordagem rotineira.

Entre as mais variadas formas de contestação no país assistiu-se ao ataque e destruição de estátuas de figuras históricas em uma demonstração de raiva incontida pela população, não apenas negra, mas, também, a branca. Continue reading

Que a memória não seja curta 

O ser humano dá mostras de ser mais ser que humano. Qualificar e generalizar é um pecado mortal, mas como segregar entre os bípedes falantes e dotados – muitos, mas não todos – de massa cinzenta digna do nome aqueles que realmente agem e se comportam como tal?

O mundo todo vem atravessando um período de catastrófica pandemia imposta pelo covid-19 onde não poucos perdem suas vidas, enlutando famílias, e outros tantos, insensíveis, exploram seus semelhantes como seres superiores inatingíveis que imaginam ser. Continue reading

Um admirável dia novo, aqui e agora

Havia me proposto a não escrever sobre o caos instalado no país por conflitos de toda ordem. Desde manifestações habituais de quem deveria liderar diante das crises sanitárias às econômicas derivadas da primeira até a insurgência de militantes contra atos promulgados pela Organização Mundial da Saúde e orientação de epidemiologistas e infectologistas visando reduzir o elevado índice de mortalidade pela pandemia mundo afora. No momento em que digito, só no Brasil são mais de 12 mil óbitos e 170 mil casos confirmados. Continue reading

A Carência de Massa Cinzenta

“Meu amigo, minha amiga, não se preocupe com o coronavírus. Porque essa é a tática, ou mais uma tática, de Satanás. Satanás trabalha com o medo e o pavor. Trabalha com a dúvida. Por trás dessa campanha toda de coronavírus existe um interesse econômico”. Palavras do bispo Edir Macedo da Igreja Universal do Reino de Deus. Enquanto isso, hoje, quinta-feira, 19 de março, a contabilidade de casos de coronavírus no Brasil bateu nos 529, todos confirmados. No mundo, mais de 200 mil com quase 9 mil mortes. Continue reading

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