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Categoria: Cotidiano (Page 1 of 5)

Você tem Opinião própria? #604

Claro que tem. Todos nós nos posicionamos – perante as situações que surgem – “trocentas” vezes por dia. Nem por isso, como sabe, abre mão de ouvir ou ler sobre pensamentos diferentes do seu. O que não significa que, eventualmente, venha a concordar com o que ouviu ou leu distintamente de como vê o mundo.

Não somos perfeitos nem oniscientes. É verdade que tem gente que não pensa assim e se julga dona da verdade. Quando coloco meus pontos nos i tenho consciência que os pontos são meus, mas os i são dos que leem.

O que você lê aqui é importante? Contribui para incrementar seu conhecimento, revisão de ponto de vista ou apenas saber do que se trata?

Permite-se discordar – e aí se manifestar possibilitando, quem sabe e talvez, uma réplica? E depois uma tréplica quando se justifica? Ou se mantem em silêncio guardando para si sua sagrada – sagrada, sim – opinião?

Escrevo esta matéria em mais um dia de interminável isolamento, na esperança de, quem sabe, encontrar alguém ou alguns – em situação análoga ou não – para melhor compreender esta Nova Era que nos impõe um novo olhar para encarar cada novo dia.

Não são poucos os que já adquiriram essa consciência. Reformular modos de agir e pensar não é fácil. Você e eu sabemos disso. Claro está que, também, são poucos os que se negam a admitir que tudo permanece como era. Aliás, não é preciso uma pandemia para manter como verdadeira essa afirmação. Tudo muda, o tempo todo. “Só Carolina não viu”.

Aliás, a música e letra geniais – do também genial Chico Buarque – composta na década de ’60, a meu ver, não perdeu a validade.

Em meio ao oceano de dificuldades enfrentadas por todos – uns mais, muito mais, outros menos – nossa solidariedade e compreensão evoluíram tomando uma consciência (maior) que ninguém é uma ilha. Figurativamente, somos um arquipélago interligado por pontes. Umas em bom estado e outras nem tanto.

Assim, se conseguiu permanecer lendo até aqui, obrigado.

Coloco-me à disposição para um ponderado bate e volta.

Cuide-se!

email radeathayde@ponderando.com.br.

Sem tempo de ter tempo

Existem momentos em nossas vidas, não poucos por certo, que oferecem a oportunidade para reflexões mais profundas, permitindo uma mudança de sintonia e, não raro, exigindo de nós aquela postura de coragem para reconhecer e aceitar verdades escondidas nos recônditos da alma. A perda de um ente querido, de um amigo, de alguém que nos fará falta, por exemplo, são oportunidades que surgem – como se hora da verdade fossem – levando-nos, quem sabe, a um “mea culpa” tardio. Continue reading

Estamos sendo, todos, manipulados

Sapeando a internet pela manhã na tentativa de atualizar-me sobre os acontecimentos mundanos deparo-me, como habitualmente, com notícias irrelevantes para meu crescimento e erudição (?). Ainda que não as leia, os olhos, por segundos, passam por algumas deixando registros em meu cérebro. Inevitável que assim seja e os marketólogos sabem muito bem disso. Uma enxurrada de futilidades, não poucas disponibilizando o gosto discutível de matérias, certamente pagas, em uma espécie de lavagem cerebral. Somos prisioneiros de uma tecnologia perversa que nos impõe – mediante a aplicação de técnicas cognitivas – assimilar muito do que não queremos. Inclusive enxurradas de mensagens publicitárias indesejáveis. Continue reading

Esta não é uma gravação

Sou adepto de inovações tecnológicas. Como em tudo na vida, apresentam (as inovações) aspectos positivos e negativos a depender de seu uso. O automóvel, por exemplo, se usado com responsabilidade para o fim destinado é de valia indiscutível; caso contrário, é uma arma. E as armas: começaram a ser fabricadas para servirem de autodefesa desde sempre. Como o ser humano é um animal que se distingue por agir com racionalidade, mas não raro ignora esta faceta, fez e faz de seu uso um instrumento visando a (também) letalidade de seu semelhante.   

A tecnologia da telefonia móvel é outro bom exemplo. Criou o celular há cerca de – apenas – 40 anos revolucionando a forma de como os humanos podem se comunicar. Desde então, seu aperfeiçoamento constante, em escala exponencial, vem transformando o como o homem (e a mulher, por óbvio) se comunica fazendo uso daquela “caixinha” mágica de aproximadamente 14×7 cm. Aceita conversas com várias pessoas ao mesmo tempo, fotografa, arquiva mensagens e fotos, acessa sua conta bancária e permite transações financeiras sem sair de casa, recebe e envia mensagens, acessa o noticiário televisivo e impresso e, reúne uma infinidade de recursos jamais imaginados. Magistral!

Por outro lado – e aqui, estou certo, devo ser questionado por meu posicionamento -, o uso de um do aplicativos gratuitos para troca de mensagens mais usados, o WhatsApp, tem levado as pessoas a se comunicarem apenas virtualmente. O que deveria, a meu ver, ser uma alternativa em caso de impedimento de comunicação por voz, tornou-se uma regra distanciando as pessoas. Lamento.

Uma das maravilhas desenvolvidas pelo ser humano é a habilidade de usar a fala, do mirar o olho no olho, sentindo emoções apenas presentes em contatos presenciais. Nessa impossibilidade, ao fazer uso de palavras digitadas e não da voz, quando em contatos virtuais, perde-se aquela sensação de aproximação com o outro pelo tom – que pode expressar afeto, carinho, dúvida, desencanto, aprovação ou crítica silenciosa. Uma artificialidade sem fim, como se robôs fôssemos. Aliás, creio que não estamos muito longe disso…

Assim, consciente de ser voto vencido – de goleada – em qualquer discussão sobre este assunto, permaneço à disposição de leitores, amigos e parentes para ouvir sua agradáveis vozes e tons de emoção – quaisquer que sejam eles – para certeza que estamos vivos e bem.

Ou seja: “esta não é uma gravação…”  

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Estaremos nós a serviço da tecnologia em futuro próximo?

Quanto maior o desenvolvimento da tecnologia da informação (TI) menor parece ser a comunicação efetiva e afetiva entre as pessoas. Entenda-se comunicação como sendo entendimento, aproximação.

O choque de costumes, agravado em certas partes do planeta por levas de migrantes na busca por uma vida melhor em terras tão distantes quanto as novas culturas a enfrentar, parece estar provocando uma profunda reformulação – invisível, talvez – nas regras de convivência e comunicação humanas. Continue reading

É crime matar o tempo

Não é novidade que a evolução meteórica dos acontecimentos nos deixa perplexos quando damos um “stop” para processar a quantas andamos. Penso que – assim como o envelhecimento – o tempo e a tecnologia vão se encarregando de transformar tudo e todos. Inexorável.

O desenvolvimento tecnológico, responsável pelas mutações em todos os segmentos da vida, nos mobiliza diante de eventos e fatos que surgem como se brotassem do nada. Forma e o conteúdo se apresentam de roupa nova, mas a essência permanece a mesma. Continue reading

Au! Au! Au!

Há oito anos publiquei esta crônica em minha coluna no JC Holambra e em meu site Ponderando. Agora, atendendo a pedidos, ei-la novamente aqui:

“Sempre fui fã de cachorros. Meus filhos cresceram tutelados por cadelas Boxer. Amorosas e guardiãs dos pequenos, incrivelmente dóceis, se comportavam como membros da família. Todas foram educadas para conviver com visitas. Não ladravam por qualquer barulhinho e jamais infernizaram vizinhos com seus latidos de dia ou à noite. Apenas em situações extremas. Continue reading

O Rio de Janeiro (não) continua lindo

Faz tempo, mas…

O nome dele era Mischetti. Não, não era italiano. Era um negão de 1,90 m de altura, simpático, amigo de todos e malandro típico. Malandro é aquele que não trabalha, que emprega recursos engenhosos para sobreviver. Popular entre a rapaziada de Ipanema (RJ), com quem jogava bola na praia e sinuca no bar da esquina próxima ao Bar Vinte, era uma figura memorável.

Para quem nunca ouviu falar, o Bar Vinte era o final da principal rua interna do bairro – a Visconde de Pirajá – “giratória” do fim da linha do bonde da linha 13, Ipanema, e do 11, Jardim Leblon, que vinha em sentido contrário.

Respeitado pela mini favela vizinha – localizada no início do bairro Leblon e caminho mais curto para, a pé, chegar-se ao “campo do Flamengo” – sua companhia era a garantia de trajeto tranquilo sem percalços em dias de jogo. Ressalte-se, no entanto, que nunca se soube de qualquer atividade perigosa na dita, à época chamada de Praia do Pinto.

Falando em praia, Ipanema, como as outras da região – Leblon e Copacabana – eram tranquilas, frequentadas basicamente pelos moradores dos bairros, sem a presença incômoda de ratos de areia (ladrões) e arrastões, água de coco ou chuveiros, com belas ondas para pegar “jacaré” (precursor do surf), tatuís na areia, arraias e água-viva no mar sempre azul.   

Mas malandro que era malandro, quando vestido a caráter usava terno jaquetão, camisa de seda (para evitar corte de navalha em eventuais rusgas com desafetos) chapéu de aba larga e calça de boca fina. Aliás, segundo a lenda – era um tempo em que o delegado responsável por Ipanema fazia rondas sempre munido de uma laranja e que, ao se deparar com um suspeito, jogava-lhe a laranja calça adentro para confirmar se passaria pela boca da dita. Se não passasse, cana! Folclore carioca.

Ainda naqueles tempos, nos fins de semana à noite, a “turma” ficava na porta do cinema Astória (moderníssimo) jogando conversa fora olhando as meninas e, aos domingos, tirando sarro dos cadetes do Exército cuja fardas possuíam seis botões dourados na parte de trás. Eram vários aguardando a chegada do ônibus que os levaria para a Escola e o sarro era chamar-lhes de “seis na bunda”… Bem carioca!!!

Já em Copacabana, mais sofisticada e mundialmente conhecida, o “footing” – flertar, paquerar, caminhar pela calçada desenhada com pedras portuguesas – era bem concorrido. Os mais abonados iam e viam do Posto 6 ao Leme desfilando em “conversíveis” de dar inveja. Sem qualquer preocupação com a segurança.

Mas aquela não era a praia do Mischetti.  

 

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