Desde 2 0 0 8

Categoria: Educação (Page 1 of 5)

A desatualização é um vírus letal #605

O emprego é um contrato de trabalho estabelecido entre duas partes, onde uma compra o conhecimento da outra para executar tarefas que visem atender os objetivos do contratante.

Simples assim, o contratado (empregado) vende seu conhecimento pelo valor de mercado que – como qualquer produto – depende das condições econômicas, políticas e sociais do momento.

Com isto em mente, é fácil compreender que a flutuação entre atender as necessidades de mercado e a dinâmica dos negócios valoriza – ou torna obsoleto – aquele que é o maior ativo que um profissional pode possuir: seu conhecimento!

Em tempos de desenvolvimento tecnológico acentuado como na última década – quando máquinas vem substituindo mão de obra e a exigência de conhecimentos técnicos variáveis, culturais e de relacionamento pessoal tem sido crescente – a desatualização é um vírus letal.    

A pandemia está acelerando a mudança radical do perfil dos negócios e das profissões. As leis ocultas de mercado são impiedosas, camufladas, apenas poupando profissionais que se mantem navegando, apesar das tormentas.

“Muitas carreiras desaparecerão e outras serão substancialmente alteradas. Até 2030, espera-se que a taxa de desemprego global cresça 4 vezes, dos atuais 4,9% para 20% (Fórum Econômico Mundial, The Future of Jobs)”. Alerta!

Lentamente, novas profissões estão surgindo enquanto muitas estão definhando, aguardando o ocaso. Nenhuma novidade quanto a isso já que há décadas o processo vem se acelerando. A título de curiosidade, profissões imprescindíveis como telefonista, linotipista, mensageiro, operador de mimeógrafo, datilógrafo, ator e atriz de rádio, lanterninha de cinema, arquivista já desapareceram.

Operadores de caixa e telemarketing estão na marca do pênalti. Na fila, digitadores, corretores de imóveis, caixas de banco, relojoeiros, contadores, agentes de viagem, carteiros… Falta-me espaço para continuar.

Por não outra razão, atualização permanente de conhecimentos e percepção aguda com capacidade de ler sinais e entrelinhas não apenas de sua profissão, mas também do em torno onde ela está inserida – política interna, externa, econômica, internacional – podem fazer a diferença no radar dos acontecimentos e sua influência onde atua.

Ficar um passo à frente pode ser um “plus” na manutenção de seu emprego. Isto significa ter perfeita noção que suas aptidões, formação e experiência correm o risco de ter caducado!

Novas profissões estão em curso, tendo as tecnologias como ferramentas indispensáveis e exigindo conhecimentos adicionais para sua reformulação, integrando ciências exatas às sociais como a medicina,  biologia, psicologia.

As Humanidades – não mais engessadas – passam a conviver com robôs que não são capazes de interpretar situações humanas, como dilemas sociais, valores, cultura, prioridade do certo e errado, entre outros. A máquina pode não ter essa sensibilidade, mas saiba que filósofos, antropólogos e psicólogos estão cada vez mais trabalhando com inteligência artificial, porque o sistema precisa de humanização. Novíssimos tempos!

O amanhã já chegou!

email – radeathayde@gmail.com

Aglomerações: gatilho de efeito retardado? #597

Difícil, ainda sob a tutela da pandemia da covid-19, fugir de temas a ela relacionados principalmente se você estiver confinado em casa e ser enquadrado na categoria alto risco. Não são poucos os que se encontram nessa situação, mas muitos, inúmeros, os que estão nem aí. Aglomerados em praias, bares e baladas, por ignorância ou incompreensão, mas não por desinformação, esses milhares de indivíduos espalhados por todo o país podem estar se transformando em armas letais de efeito retardado. Ou suicidas em potencial!

Muito tem se discutido e lido sobre este tipo de comportamento. Mas parece que uma força maior que a do bom senso ou, pelo menos, a de respeitar a dúvida, prevalece principalmente entre os mais jovens, aqueles que se julgam eternos e a prova de tudo. 

Afinal, em algum momento, devem ter se dado ao trabalho de fazer uma continha e concluíram que, se são 26 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo (população 7,5 bilhões) a proporção de óbitos em relação a população do planeta é de 0,033. Ora, no Brasil essa proporção (óbitos/infectados) é de 0,031 na data de hoje (31/8), bem próxima da mundial. Então?

Então a conclusão que se poderia tirar desse raciocínio é que as circunstâncias por aqui não parecem ser mais graves que no resto do mundo, apesar de na Europa a situação ter ficado mais alarmante durante muito tempo e as condições, por lá, de prevenção severas e controladas por um longo período.

Ora, dir-se-ia então que a flexibilização indiscriminada, independente, autorizada pelas autoridades municipal ou estadual, aqui, estaria “compatível” com as regras duras estabelecidas em outros países, haja vista os resultados alcançados até o momento…

Como autoridades sanitárias, governos e cientistas ainda estão aprendendo sobre o comportamento do vírus, somos obrigados a conviver com os que arriscam suas vidas – e as de seus semelhantes, “por tabela” -, dando um exemplo descompromissado com o desconhecido.

Mas um dia, passado esse episódio – que está transformando o comportamento de todos nós, seja na forma de se relacionar, de educar, de conduzir os negócios, na valorização da vida – terá seu peso avaliado pelos sobreviventes.

Eis que a vida sempre segue seu curso!

E a pergunta que deveríamos ter em mente no momento, sem qualquer discurso, é como pensamos a vida e como trata-la: a própria e a dos semelhantes.

Aqueles seres muito simples e pequenos, formados basicamente por uma cápsula proteica envolvendo o material genético, que chamamos de vírus, ainda “dão um baile” nos seres ditos inteligentes: nós!

Portanto, cuide-se!

email radeathayde@ponderando.com.br

CURTIU? COMPARTILHE

A Palavra é Sua #595

Vivemos em uma sociedade abrigada debaixo do guarda-chuva democrático. A cada dois anos, regido pelo sistema em vigor, a população é lembrada que deve votar- seja para eleições majoritárias ou proporcionais. Obrigado a votar, o eleitor é penalizado se não se apresentar às urnas para cumprir com seu “dever cívico”. Se existe a obrigação de votar, o sistema se autodenuncia por inexistir liberdade de opção em exercer o direito, ou não!

O Brasil permanece, como nação, uma colcha de retalhos coloridos. Desnecessário entrar em detalhes cansativos das razões, por demais conhecidas.

Desde a Proclamação da República, nos idos de 1889, mediante um golpe de Estado político-militar e tendo como primeiro mandatário o Marechal Deodoro da Fonseca, a colcha vem sendo tramada, remendada, por sucessivos herdeiros políticos.  

E apesar de sermos o quarto maior país em extensão territorial do planeta, depois de Rússia, Canadá e China, é o único considerado do terceiro mundo, eufemisticamente, “em desenvolvimento” …

Triste sermos o segundo maior exportador mundial de alimentos e não conseguirmos alimentar toda a população saudavelmente. Ser o segundo maior produtor de minério de ferro do planeta, o terceiro maior produtor mundial de manganês e aquele que concentra 98% das reservas conhecidas de nióbio no mundo (usado em cápsulas espaciais, reatores nucleares, semicondutores). E permanecermos pobres.

Paradoxalmente, Universidades brasileiras reconhecidas – muitas internacionalmente – tem produzido mentes brilhantes, homens e mulheres capacitadas academicamente, seja nas artes, na cultura, na ciência. Mas a história parece demonstrar que para acordar este gigante – deitado eternamente em berço esplêndido – é preciso mais que educação de nível superior.

A riqueza de nosso solo e biomas não parecem ser suficientes para bancar a “revolução na educação” eis que carecemos de educação de base de qualidade, alicerce da formação de escol, tema espinhoso sempre relegado a segundo plano por governos seguidamente.

Já são 131 anos desde a libertação do país do jugo colonial. Mas ainda permanecemos sob o jugo da ausência do Estado na Educação, da insalubridade que afeta metade da população, da impunidade servil aos poderosos.

Se é verdade, segundo Pero Vaz de Caminha, que no Brasil em se plantando tudo dá, então é chegada a hora de plantar a Educação de alto nível no país. Sementes de qualidade não nos faltam. Nem produtores.  

Falta-nos, então, o que? A palavra é sua!

COMPARTILHE

“Sem Rodeios”

Anuncia-se, em enormes outdoors, a realização de um “Rodeio e Modão” na Cidade das Flores, em outubro próximo, sob o slogan “Resgatando a Tradição” (???). Nada mais distante da tradição que o Brasil conhece – e reconhece – Holambra como o maior centro de produção de flores e plantas ornamentais da América Latina.

Nascida da colonização holandesa desde os idos de 1948 e elevada à categoria de Estância Turística em 1998, os turistas que a visitam são agraciados com uma cidade bem cuidada que em muito lembra suas origens pela arquitetura, danças folclóricas, sítios de produção, campos de flores, eventos internacionais como a Expoflora, Hortitec, Enflor, Garden Fair, Trekker Trek, Gincanas, Corrida do Rei, mantendo ilesa sua imagem agrícola e influência cultural. Continue reading

“Talento só, não basta” (Artigo escrito em 1/10/2010)

“O episódio recente envolvendo o jogador do Santos, Neymar Santos Jr., dirigido pelo técnico Dorival Jr. – que não se percam pelos nomes – foi notícia até no exterior.

Indisciplinado contumaz, o jogador tem sido defendido por muitos como um jovem de raro talento, apenas irreverente. Suas transgressões, sempre relevadas pela diretoria do clube. Coisas da idade argumentam uns. Coisas que o maior gênio do futebol, com a mesma idade, já campeão mundial, pertencente ao mesmo Santos, jamais se permitiu. Continue reading

O STF é do barulho!

O assunto é polêmico, causando discussões infindáveis entre o comércio, de olho nos lucros, os amantes de barulho crescente (já ensurdecidos) sem fim e a sociedade sensível aos danos consequentes. Refiro-me aos rojões, morteiros e afins utilizados, principalmente, em “viradas” de fim de ano. Os fogos de artifício, belíssimos por sinal para serem apreciados, não se incluem nessa pouco civilizada prática. Continue reading

Que não se perca a oportunidade

As eleições majoritárias deste ano terminaram frente a uma aguerrida disputa política polarizada, com ideologias antagônicas se digladiando por um espaço junto a eleitores convictos e nem tanto. Afinal, um contingente de 42,1 milhões de eleitores – somando os votos nulos e brancos às abstenções – não escolheram nenhum candidato – o que bem revela o estado de ânimo do brasileiro sobre o momento no país.

Alardeia-se que vivemos em uma democracia onde todas as instituições funcionam plenamente sem qualquer obstáculo. Verdade. No entanto, a lei brasileira obriga o cidadão e a cidadã a votarem, caso contrário serão punidos. Uma arbitrariedade, a meu ver, que suprime a liberdade do indivíduo de exercer seus plenos direitos sem qualquer contestação ou admoestação. Ressalve-se, contudo, que o resultado das eleições se deu dentro da normalidade e legalidade como reza a Constituição.

E assim, sem qualquer dúvida sobre a legitimação do resultado, o país entra em uma nova fase de sua vida política, econômica e social, com esperança renovada. Apesar de um Judiciário fragmentado, um Congresso igualmente fragmentado (ainda), desacreditado e um Executivo que cumpre seus derradeiros dias manquitolando.

A situação dramática vivida pela população de inúmeros municípios brasileiros em termos de segurança, saúde, economia e educação é trágica. Alguns, em verdadeira guerra civil não declarada, já banalizaram as mortes por balas perdidas que vem ceifando a vida de centenas de inocentes. Não por outra razão, estudo feito pelas Nações Unidas revelou um dado assustador: o Brasil é o segundo país da América Latina e Caribe com maior número de casos de balas perdidas. E mais: o país ocupa o 5º lugar no ranking mundial de Feminicídio, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Alarmante!

Quase 50 milhões dos habitantes vivem abaixo do limite de 5,50 dólares por dia; na educação, 27% dos brasileiros são analfabetos funcionais (sabem ler, mas não compreendem o sentido daquilo que leem) e 4% dos estudantes do ensino superior são considerados analfabetos funcionais. Inconcebível!

Por fim, a economia, sobre a qual tanto se fala, é a porta de saída para a redenção de nossos problemas nas áreas mencionadas: desde que o Congresso renovado cumpra com seu dever de zelar pelo desenvolvimento do país votando as reformas que se fazem necessárias e urgentes. E, complementando, reduzindo o tamanho do estado e cortando gastos do governo. 

A nona maior economia do planeta aguarda pela ação patriótica de um Legislativo que insira o Brasil no clube dos desenvolvidos. É a hora da verdade! É possível!

Que não se perca a oportunidade!

INCÊNDIO DO MUSEU NACIONAL: RETRATO DO BRASIL

O dia 2 de setembro de 2018 entrará para a História do Brasil como sendo o mais trágico para a cultura e memória brasileiras.

O incêndio que devastou o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, em poucas horas, é uma demonstração inequívoca de como nossos governantes gerem a “coisa pública” – com absoluto descaso – sem a menor competência e responsabilidade.  Continue reading

« Older posts

© 2020 PONDERANDO

Theme by Anders NorenUp ↑