Desde 2 0 0 8

Categoria: Internacional (Page 1 of 6)

Homenagem à Vida #598

A história, verídica, passou-se durante a segunda guerra mundial.

Um bombardeiro B-17 da Força Aérea dos Estados Unidos, em zona de término de combate, com um artilheiro morto e outros seis tripulantes feridos a bordo, além de dois motores destruídos, escapa em direção à sua base quando se emparelha com ele, asa com asa, um caça, mas com a suástica pintada na fuselagem.

Os pilotos trocam olhares fixos. O piloto alemão faz um gesto com a mão sugerindo ao piloto americano que prosseguisse em seu caminho batendo continência, no que foi correspondido da mesma forma. A seguir, dá meia volta enquanto o americano continuou em seu retorno à salvação.

Guerras, como pandemias, sempre tem princípio e fim. Talvez, na cabeça de ambos os pilotos, após o gesto de respeito pelo outro, tenha lhes passado a visão de que terminado o conflito bem poderiam, por obra do destino – caso sobrevivessem – encontrar-se por acaso na Hofbräuhaus, mais famosa choperia de Munique ou visitando o Metropolitan Museum em Nova York.

Não menos conscientes de que – como militares treinados e cumprindo ordens – mataram muita gente do outro lado. Mas naquele momento único falara mais alto o ser humano, o respeito pelo outro que como ele deixara em casa uma família à espera de sua volta.

Pandemias, como guerras, tem sempre princípio e fim. Não há quem não seja afetado direta ou indiretamente por elas. Inúmeros os que sofrem perdas irreparáveis causadas por desvarios de homens encastelados no poder que em sua ambição desmedida se julgam acima do bem e do mal.

A história do “day after” vem se repetindo através da história e por isso, de tempos em tempos e por triviais razões – poder, ambição, fanatismo – a temperatura sobe, levando homens insensatos a fazerem a cabeça de milhares, milhões de pessoas, induzidas por máquinas de convencimento emocional quando não por ideias fratricidas, genocidas, racistas.

Passados os vendavais, a tormenta, os que se odiavam novamente se dão as mãos, sempre diante de novos tempos, por falta de opção ou interesses em curso.

E parodiando o gênio que foi, Charles Chaplin: “Se matamos uma pessoa somos assassinos. Se matamos milhões de homens, celebram-nos como heróis.”

Minha homenagem aos pilotos dessa história! E à preservação da Vida!

email – radeathayde@ponderando.com.br

A esperança está no Arroio dos Ratos

Mergulhado em confinamento e isolamento social, mas acompanhando a contragosto conflitos de interpretação e interesses sombrios sobre os (des)caminhos da covid-19, aproveito para fazer uma aposta com você. Vale uma garrafa de água mineral, sem gás, que desconhece a notícia que segue.

Isadora Stefanhak Costa Arantes, de 17 anos, aluna do 3º ano do Colégio Cenecista Santa Bárbara, em Arroio dos Ratos (RS), foi premiada com a participação em um curso de imersão no universo da astronomia, nos Estados Unidos, que inclui até treinamento para astronautas. E mais: incluída no processo seletivo do programa desenvolvido pela Advanced Space Academy [Academia Espacial Avançada] destinado a jovens de até 18 anos, Isadora apresentou um projeto, bem sucedido, de combustível para mini foguetes em garrafas pet.” Touché!

Como é sabido e notório, notícias que não causam polêmica ou criam clima de conflitos não saciam a fome de uma imprensa que precisa vender para se sustentar na guerra pela audiência, leia-se anúncios e patrocínios.

Com tanta miséria exposta pelas mídias internacional e local, nossos neurônios são retroalimentados, diuturnamente, por agentes poluidores classificados como notícias. Nesses tempos de incertezas quanto ao futuro que se desenha cada vez mais distante, carecemos de informações positivas e otimistas que nos ajudem a desobstruir o fígado (segundo maior órgão humano depois da pele). Sobrecarregado, acredite, sofre com agressões agudas por, inclusive, emoções causando graves danos à saúde física e emocional.

Segundo a Medicina Chinesa, a emoção que mais afeta e prejudica o fígado é o sentimento de irritação, agressividade, rancor ou frustração, motivados por aborrecimentos, injustiça ou rejeição sofridas.

Como somos seres emocionais por excelência, deixamo-nos levar pelo que os olhos veem, os ouvidos captam e o cérebro registra liberando a adrenalina que nos faz… aguentar o tranco. Por outro lado, notícias agradáveis e otimistas – como comprovado pela ciência – são capazes de impactar o funcionamento de nosso corpo de forma autônoma proporcionando o bem estar.

Assim, anonimamente, eu e meu fígado agradecemos à Isadora, lá de Arroio dos Ratos (RS), a oportunidade de – pelo exemplo – depositar mais fé em nossos jovens presentes nos recônditos deste imenso país aguardando pela oportunidade de serem revelados.

Permaneço no aguardo de mais notícias desse calibre divulgadas por quem quer que seja. O Brasil de nossos olhos e ouvidos agradece.

E eu, também, pela minha água mineral, sem gás. Estou cobrando!

Quanto vale uma Constituição?

O confinamento e distanciamento físico impostos pelo bom senso, após orientações das autoridades sanitárias para combater a covid-19 – mas desrespeitadas por quem deveria dar exemplo à parcela inculta da sociedade e liderar o processo de controle e prevenção junto à população – faz-nos refletir sobre a realidade que vivemos.

Uma questão que tenho levantado com os meus botões nestes dias é: em que país vivemos nós? O fato de termos nascidos (muitos) no Brasil – e nele morarmos – nos faz acreditar que deveríamos estar, nesta passagem por aqui, sendo submetidos a tratamentos iguais para todos.

Afinal, o país possui uma Constituição que detalha direitos e obrigações regendo a vida de todos nós. E, não menos, do Estado para conosco!

Assim, pelo Art. 3º – Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II – garantir o desenvolvimento nacional;

III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Fosse eu um “rábula” e levantaria a possibilidade de entrar junto ao Superior Tribunal Federal – STF com uma ação direta de constitucionalidade visando declarar que os governos federal e estaduais são incompetentes para fazer cumprir com o preceito estabelecido no Art 3º III  – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais contrariando, assim, a Constituição Federal. 

E as razões: 48% da população (100 milhões e 800 mil) não possuem coleta de esgoto; 35 milhões de brasileiros não tem acesso a água tratada; 13 milhões de brasileiros não sabem ler nem escrever.

A pandemia causada pela covid-19 vem desnudando o véu de uma triste realidade brasileira: seja pela ausência de uma liderança atuante à frente da saúde e da logística, seja no combate à desonestidade na aquisição de equipamentos essenciais para o combate à doença, seja na desorganizada e irresponsável flexibilização lastreada em critérios pouco ou nada ortodoxos com idas e vindas de decisões arbitrárias.      

Documentário da semana passada na TV mostrou a dolorosa realidade de nossos indígenas na Amazônia para enfrentar o surto. Ao final, frase de desalento de um ancião na sua comunidade: “nós estamos aqui há 10 mil anos e vocês, há apenas 500…” E eu complementaria: com água pura, esgoto desnecessário, tradições preservadas oralmente pelo exemplo e ensinamento.

E sem qualquer Constituição!!! Então?

“ALL LIVES MATTER” (Todas as vidas importam)

O deplorável episódio envolvendo a morte de um homem negro – George Floyd – por um policial branco, em Minneapolis (EUA), em 25 de maio último, trouxe revolta e inconformismo mundo afora pela brutalidade e violência usadas naquela que deveria ter sido apenas uma abordagem rotineira.

Entre as mais variadas formas de contestação no país assistiu-se ao ataque e destruição de estátuas de figuras históricas em uma demonstração de raiva incontida pela população, não apenas negra, mas, também, a branca. Continue reading

Um admirável dia novo, aqui e agora

Havia me proposto a não escrever sobre o caos instalado no país por conflitos de toda ordem. Desde manifestações habituais de quem deveria liderar diante das crises sanitárias às econômicas derivadas da primeira até a insurgência de militantes contra atos promulgados pela Organização Mundial da Saúde e orientação de epidemiologistas e infectologistas visando reduzir o elevado índice de mortalidade pela pandemia mundo afora. No momento em que digito, só no Brasil são mais de 12 mil óbitos e 170 mil casos confirmados. Continue reading

A Hora da Verdade

O covid-19, doença que foi identificada pela primeira vez em Wuhan, na província de Hubei, República Popular da China, em 1 de dezembro de 2019, teve o primeiro caso reportado em 31 de dezembro do mesmo ano.

De lá para cá o surto foi se alastrando mundo afora levando inicialmente a Itália a se tornar o epicentro na Europa onde, devido a reações tardias visando bloquear a contaminação, atingiu números catastróficos de infectados e mortos.

A demora em tomar providências drásticas e ignorar à orientação de efetuar o confinamento ou distanciamento social recomendadas pela OMS – Organização Mundial da Saúde – levaram de roldão a França e a Espanha sem menosprezar-se a atitude – comprovadamente desastrosa – do primeiro ministro britânico Boris Johnson que, tardiamente, se viu obrigado a exigir o isolamento da população recebendo como troco sua contaminação, internação em estado grave e, talvez, por sorte, sua recuperação graças ao excelente serviço de saúde – NHS – disponível no país.

Afinal, até 15 de abril de 2020, pelo menos 1 970 879 casos da doença foram confirmados em mais de 210 países e territórios, Pelo menos 125 910 pessoas morreram (mais de 25 000 nos Estados Unidos, pelo menos 21 000 na Itália, cerca de 18 000 na Espanha, por volta de 15 700 na França, mais de 12 000 no Reino Unido e pelo menos 3 300 na China). (Wikipedia)

Mas parece que esses números e a clara evidência de que as recomendações da OMS não assustam, vem levando alguns governos a arriscar parte de suas populações a contraírem o codiv-19 com futuro imprevisível sombrio.

Os efeitos mundiais da pandemia levaram à instabilidade social e econômica, corridas às compras, xenofobia e racismo contra pessoas de descendência chinesa e do leste asiático, on-line de informações falsas e teorias da conspiração sobre o vírus e o encerramento de escolas e universidades em pelo menos 115 países, afetando mais de 1.6 bilhão de estudantes. 

Enquanto isso, no Brasil, esforços de médicos e cientistas consagrados, na tentativa hercúlea de poupar o país de uma catástrofe – em uma corrida contra o tempo – tenta reduzir nossa deficiência em equipamentos e infraestrutura hospitalar perseguindo as orientações inequívocas da OMS.   

Infelizmente, na contramão, significativa parcela de nossa população iletrada, inculta, desconhecedora sobre o que se passa pelo mundo, é influenciada pela ala política antítese da ciência. Exposta que está, de forma ingênua, milhares de brasileiros inocentes poderão vir a pagar com suas vidas a dívida ora sendo contraída por um…. não consigo encontrar adjetivo qualificativo pertinente!

No Limiar da Nova Aurora

Pesquisei frases natalinas e de votos de feliz ano novo, prontas, para enviá-las a você. Afinal, é o que muitos fazem na época das Festas. Encontrei apenas clichês, frios, revestidos de palavras não menos.

Ponderei sobre o universo de citações colocadas na internet para tornar as pessoas mais preguiçosas ao imaginarem que ao transcrever frases de efeito, padronizadas, cumprem com o que imaginam ser uma obrigação: os cumprimentos de fim de ano. Afinal, imagino eu, toda mensagem é única – ou deveria ser – Continue reading

A prioridade na realização pessoal

A vida é feita de embates desde que nos entendemos por gente. Sempre em tentativas de ocupar espaços que acreditamos serem nossos, ganhando e perdendo como em batalhas planejadas. Na escola foi assim, no meio social não tem sido diferente e no trabalho – pela sobrevivência e perseguição ao sucesso – causas e efeitos se apresentam mais pronunciados.

Quero crer que que é no trabalho que a visibilidade se torna mais cristalina, onde anseios levam não poucos a compactuar na busca da manutenção de um status-quo ou ascensão. E nesse universo, onde tantos lutam para entrar e outros tantos para não sair, a briga é de cachorro grande. Continue reading

Aguardemos o gran finale da ópera bufa

Parece não haver mais dúvidas que prossegue a candidatura do deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do Presidente da República, para ocupar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos da América. Segundo seu pai, “da minha parte está definida [a indicação)”. Disse mais, em evento no plenário da Câmara (15/07/19).: “Se está sendo tão criticado pela mídia é sinal de que é a pessoa adequada”. Não entendi a alusão, mas de qualquer forma, são críticas oriundas não apenas da imprensa. Inclusive minha, destacaria eu.

Por fim, conclui o Presidente Jair Bolsonaro: “Tem um caminho todo grande pela frente. Tem um termo técnico para os Estados Unidos verem se tem alguma coisa contra [a nomeação]. Tem que conversar com o Parlamento” (sic). Sem comentário.

Aliás, o anúncio da indicação para ocupar a embaixada em Washington foi, curiosamente, feito tão logo o filho completou 35 anos, idade mínima estabelecida por lei para chefiar qualquer missão diplomática no exterior. Reto e direto!

Em função desse quadro e segundo o jornal Folha de S. Paulo, interlocutores do governo já começaram a se movimentar nos bastidores para tentar aprovar – em votação secreta – o nome de Eduardo Bolsonaro no Senado. Pois é! “Brasil acima de tudo…”

Imagina-se que o “efeito Trump” tenha algo a ver com a indicação, haja vista determinadas coincidências de atitudes e pensamento entre os dois presidentes. Todas sobejamente conhecidas. Saliente-se que mundo afora, exceto em ditaduras, dificilmente indicar-se-ia alguém para ocupar cargo topo da diplomacia – principalmente em embaixada na maior potência mundial – apenas com credenciais relevantes como na culinária (fritar hamburger no país), fazer treinamento cardiovascular de resistência ao frio montanhas do Colorado e enfrentar o gélido clima no estado do Maine na fronteira do Canadá.

E a propósito: aceitaria o Brasil, como embaixador para representar seu país aqui, alguém que apenas aprecia uma caipirinha, já brincou no carnaval e tenha visitado as belas praias do nordeste?

Mas como já expresso anteriormente, a forma como o maestro conduz sua sinfônica, sempre dispensando o “spala” (responsável por afinar a orquestra, antes da entrada do maestro) permanece intacta e inalterada.

Assim, aguardemos o gran finale da ópera bufa!

Curtiu? Compartilhe

e-mail: radeathayde@ponderando.com.br

 

« Older posts

© 2020 PONDERANDO

Theme by Anders NorenUp ↑