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Verso e reverso de uma mesma moeda # 607

O presidente da República está prestes a perder sua referência, eis que a mudança do inquilino da Casa Branca – seu ídolo – no dia 20 de janeiro de 2021, deverá reconfigurar a linha de conduta e ação de governos mundo afora que – por interesses econômicos, geopolíticos e até ideológicos  – liam pela cartilha do ainda presidente por lá. Por aqui não será diferente. Restará apenas a saudade de um sonho não realizado.

Líder do país mais poderoso do mundo, militar e economicamente, Donald John Trump é um negacionista por excelência. Deixa, em seus quatro anos de governo, a marca de uma profunda divisão da sociedade norte-americana.

Como empresário de origem e ex-astro de reality show, já em seu primeiro mês de governo renegociou o Acordo de Livre Comércio com o Canadá e o México, lançou o projeto de construção de um muro anti-imigração entre os Estados Unidos e o México, proibiu a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, nomeou um juiz conservador para a Suprema Corte. Não foi pouco!

Fora dado o pontapé inicial para – em seu melhor estilo – derrubar tratados internacionais e acordos bilaterais.

Em junho de 2017 anunciou a saída dos Estados Unidos do Acordo Climático de Paris, no ano seguinte aumentou os impostos sobre aço e alumínio importados do México, Canadá e União Europeia, declarou guerra comercial com a China, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel, apesar da desaprovação internacional.

Em 2018 anunciou a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear internacional com o Irã e o restabelecimento das sanções americanas. O mundo levantou as orelhas!

Havia criado uma nova ordem política, social e econômica mundial para o bem ou para o mal. Não foi muito difícil, eis que o mundo inteiro – de uma outra maneira – era e é dependente do Estados Unidos. E ponto final.

Apesar de sucesso na administração da economia e geração de empregos até o advento da pandemia no início deste ano, encontrou no vírus letal – Covid-19 – um oponente à altura que o derrubou. Foi à lona por incompetência negando a existência da doença, desacreditando e desautorizando proeminentes da saúde na área epidemiológica mundial, chegando a retirar os Estados Unidos da OMS – Organização Mundial da Saúde – em Genebra na Suíça. Podia muito, mas não podia tudo! 

Seu país amarga hoje mais de 10 milhões de infectados. Trump perdeu a guerra no negacionismo e os Estados Unidos mais de 240 mil dos seus cidadãos.

O mundo gira rápido e em política não existe fraternidade. Os chefes de governos mais próximos de Trump foram, semana passada, os primeiros a enviar calorosas congratulações a John Biden e Kamala Harris, presidente e vice-presidente eleitos pelo Partido Democrata.  

Verso e reverso de uma mesma moeda!

email: radeathayde@ponderando.com.br

Geração Digital #606

Em entrevista à BBC (British Broadcasting Corporation) News Mundo, o neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França alerta: “Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento”.

Com dados concretos e de forma conclusiva, expõe como os dispositivos digitais estão afetando seriamente — e para o mal — o desenvolvimento neural de crianças e jovens. “As evidências são palpáveis: já há um tempo que o testes de QI têm apontado que as novas gerações são menos inteligentes que anteriores.”

Não estamos falando de um neurocientista qualquer, mas sim de alguém que já passou por centros de pesquisa renomados como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Seus estudos concluem que os jovens de hoje são a primeira geração da história com um QI (Quociente de Inteligência) inferior ao dos pais, uma tendência que foi documentada na Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda, França.

Vários estudos têm mostrado que quando o uso de televisão ou videogame aumenta, o QI e o desenvolvimento cognitivo diminuem. Os principais alicerces da nossa inteligência são afetados: linguagem, concentração, memória, cultura. Em última análise, esses impactos levam a uma queda significativa no desempenho acadêmico.

“São, em média, quase três horas por dia para crianças de 2 anos, cerca de cinco horas para crianças de 8 anos e mais de sete horas para adolescentes. Isso significa que antes de completar 18 anos, nossos filhos terão passado o equivalente a 30 anos letivos em frente às telas ou, se preferir, 16 anos trabalhando em tempo integral!” É simplesmente insano e irresponsável afirma o neurocientista.

As causas também são claramente identificadas: diminuição da qualidade e quantidade das interações intrafamiliares, essenciais para o desenvolvimento da linguagem e do emocional; diminuição do tempo dedicado a outras atividades mais enriquecedoras (lição de casa, música, arte, leitura; perturbação do sono, que é quantitativamente reduzida e qualitativamente degradada; superestimulação da atenção – levando a distúrbios de concentração -, aprendizagem e impulsividade; subestimulação intelectual – que impede o cérebro de desenvolver todo o seu potencial – e o sedentarismo excessivo que, além do desenvolvimento corporal, influencia a maturação cerebral.

Com o pensamento negacionista em evidência, interesses econômicos e financeiros poderosos bradarão aos quatro ventos tratar-se de mais uma sirene alarmista (a prejudicar seus negócios). Não é! É ciência!

Sugiro, portanto, a leitura na íntegra da entrevista do Dr. Michel Desmurget acessando

https://www.bbc.com/portuguese/geral-54736513

email – radeathayde@gmail.com

Homenagem à Vida #598

A história, verídica, passou-se durante a segunda guerra mundial.

Um bombardeiro B-17 da Força Aérea dos Estados Unidos, em zona de término de combate, com um artilheiro morto e outros seis tripulantes feridos a bordo, além de dois motores destruídos, escapa em direção à sua base quando se emparelha com ele, asa com asa, um caça, mas com a suástica pintada na fuselagem.

Os pilotos trocam olhares fixos. O piloto alemão faz um gesto com a mão sugerindo ao piloto americano que prosseguisse em seu caminho batendo continência, no que foi correspondido da mesma forma. A seguir, dá meia volta enquanto o americano continuou em seu retorno à salvação.

Guerras, como pandemias, sempre tem princípio e fim. Talvez, na cabeça de ambos os pilotos, após o gesto de respeito pelo outro, tenha lhes passado a visão de que terminado o conflito bem poderiam, por obra do destino – caso sobrevivessem – encontrar-se por acaso na Hofbräuhaus, mais famosa choperia de Munique ou visitando o Metropolitan Museum em Nova York.

Não menos conscientes de que – como militares treinados e cumprindo ordens – mataram muita gente do outro lado. Mas naquele momento único falara mais alto o ser humano, o respeito pelo outro que como ele deixara em casa uma família à espera de sua volta.

Pandemias, como guerras, tem sempre princípio e fim. Não há quem não seja afetado direta ou indiretamente por elas. Inúmeros os que sofrem perdas irreparáveis causadas por desvarios de homens encastelados no poder que em sua ambição desmedida se julgam acima do bem e do mal.

A história do “day after” vem se repetindo através da história e por isso, de tempos em tempos e por triviais razões – poder, ambição, fanatismo – a temperatura sobe, levando homens insensatos a fazerem a cabeça de milhares, milhões de pessoas, induzidas por máquinas de convencimento emocional quando não por ideias fratricidas, genocidas, racistas.

Passados os vendavais, a tormenta, os que se odiavam novamente se dão as mãos, sempre diante de novos tempos, por falta de opção ou interesses em curso.

E parodiando o gênio que foi, Charles Chaplin: “Se matamos uma pessoa somos assassinos. Se matamos milhões de homens, celebram-nos como heróis.”

Minha homenagem aos pilotos dessa história! E à preservação da Vida!

email – radeathayde@ponderando.com.br

A esperança está no Arroio dos Ratos

Mergulhado em confinamento e isolamento social, mas acompanhando a contragosto conflitos de interpretação e interesses sombrios sobre os (des)caminhos da covid-19, aproveito para fazer uma aposta com você. Vale uma garrafa de água mineral, sem gás, que desconhece a notícia que segue.

Isadora Stefanhak Costa Arantes, de 17 anos, aluna do 3º ano do Colégio Cenecista Santa Bárbara, em Arroio dos Ratos (RS), foi premiada com a participação em um curso de imersão no universo da astronomia, nos Estados Unidos, que inclui até treinamento para astronautas. E mais: incluída no processo seletivo do programa desenvolvido pela Advanced Space Academy [Academia Espacial Avançada] destinado a jovens de até 18 anos, Isadora apresentou um projeto, bem sucedido, de combustível para mini foguetes em garrafas pet.” Touché!

Como é sabido e notório, notícias que não causam polêmica ou criam clima de conflitos não saciam a fome de uma imprensa que precisa vender para se sustentar na guerra pela audiência, leia-se anúncios e patrocínios.

Com tanta miséria exposta pelas mídias internacional e local, nossos neurônios são retroalimentados, diuturnamente, por agentes poluidores classificados como notícias. Nesses tempos de incertezas quanto ao futuro que se desenha cada vez mais distante, carecemos de informações positivas e otimistas que nos ajudem a desobstruir o fígado (segundo maior órgão humano depois da pele). Sobrecarregado, acredite, sofre com agressões agudas por, inclusive, emoções causando graves danos à saúde física e emocional.

Segundo a Medicina Chinesa, a emoção que mais afeta e prejudica o fígado é o sentimento de irritação, agressividade, rancor ou frustração, motivados por aborrecimentos, injustiça ou rejeição sofridas.

Como somos seres emocionais por excelência, deixamo-nos levar pelo que os olhos veem, os ouvidos captam e o cérebro registra liberando a adrenalina que nos faz… aguentar o tranco. Por outro lado, notícias agradáveis e otimistas – como comprovado pela ciência – são capazes de impactar o funcionamento de nosso corpo de forma autônoma proporcionando o bem estar.

Assim, anonimamente, eu e meu fígado agradecemos à Isadora, lá de Arroio dos Ratos (RS), a oportunidade de – pelo exemplo – depositar mais fé em nossos jovens presentes nos recônditos deste imenso país aguardando pela oportunidade de serem revelados.

Permaneço no aguardo de mais notícias desse calibre divulgadas por quem quer que seja. O Brasil de nossos olhos e ouvidos agradece.

E eu, também, pela minha água mineral, sem gás. Estou cobrando!

Quanto vale uma Constituição?

O confinamento e distanciamento físico impostos pelo bom senso, após orientações das autoridades sanitárias para combater a covid-19 – mas desrespeitadas por quem deveria dar exemplo à parcela inculta da sociedade e liderar o processo de controle e prevenção junto à população – faz-nos refletir sobre a realidade que vivemos.

Uma questão que tenho levantado com os meus botões nestes dias é: em que país vivemos nós? O fato de termos nascidos (muitos) no Brasil – e nele morarmos – nos faz acreditar que deveríamos estar, nesta passagem por aqui, sendo submetidos a tratamentos iguais para todos.

Afinal, o país possui uma Constituição que detalha direitos e obrigações regendo a vida de todos nós. E, não menos, do Estado para conosco!

Assim, pelo Art. 3º – Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II – garantir o desenvolvimento nacional;

III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Fosse eu um “rábula” e levantaria a possibilidade de entrar junto ao Superior Tribunal Federal – STF com uma ação direta de constitucionalidade visando declarar que os governos federal e estaduais são incompetentes para fazer cumprir com o preceito estabelecido no Art 3º III  – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais contrariando, assim, a Constituição Federal. 

E as razões: 48% da população (100 milhões e 800 mil) não possuem coleta de esgoto; 35 milhões de brasileiros não tem acesso a água tratada; 13 milhões de brasileiros não sabem ler nem escrever.

A pandemia causada pela covid-19 vem desnudando o véu de uma triste realidade brasileira: seja pela ausência de uma liderança atuante à frente da saúde e da logística, seja no combate à desonestidade na aquisição de equipamentos essenciais para o combate à doença, seja na desorganizada e irresponsável flexibilização lastreada em critérios pouco ou nada ortodoxos com idas e vindas de decisões arbitrárias.      

Documentário da semana passada na TV mostrou a dolorosa realidade de nossos indígenas na Amazônia para enfrentar o surto. Ao final, frase de desalento de um ancião na sua comunidade: “nós estamos aqui há 10 mil anos e vocês, há apenas 500…” E eu complementaria: com água pura, esgoto desnecessário, tradições preservadas oralmente pelo exemplo e ensinamento.

E sem qualquer Constituição!!! Então?

“ALL LIVES MATTER” (Todas as vidas importam)

O deplorável episódio envolvendo a morte de um homem negro – George Floyd – por um policial branco, em Minneapolis (EUA), em 25 de maio último, trouxe revolta e inconformismo mundo afora pela brutalidade e violência usadas naquela que deveria ter sido apenas uma abordagem rotineira.

Entre as mais variadas formas de contestação no país assistiu-se ao ataque e destruição de estátuas de figuras históricas em uma demonstração de raiva incontida pela população, não apenas negra, mas, também, a branca. Continue reading

Um admirável dia novo, aqui e agora

Havia me proposto a não escrever sobre o caos instalado no país por conflitos de toda ordem. Desde manifestações habituais de quem deveria liderar diante das crises sanitárias às econômicas derivadas da primeira até a insurgência de militantes contra atos promulgados pela Organização Mundial da Saúde e orientação de epidemiologistas e infectologistas visando reduzir o elevado índice de mortalidade pela pandemia mundo afora. No momento em que digito, só no Brasil são mais de 12 mil óbitos e 170 mil casos confirmados. Continue reading

A Hora da Verdade

O covid-19, doença que foi identificada pela primeira vez em Wuhan, na província de Hubei, República Popular da China, em 1 de dezembro de 2019, teve o primeiro caso reportado em 31 de dezembro do mesmo ano.

De lá para cá o surto foi se alastrando mundo afora levando inicialmente a Itália a se tornar o epicentro na Europa onde, devido a reações tardias visando bloquear a contaminação, atingiu números catastróficos de infectados e mortos.

A demora em tomar providências drásticas e ignorar à orientação de efetuar o confinamento ou distanciamento social recomendadas pela OMS – Organização Mundial da Saúde – levaram de roldão a França e a Espanha sem menosprezar-se a atitude – comprovadamente desastrosa – do primeiro ministro britânico Boris Johnson que, tardiamente, se viu obrigado a exigir o isolamento da população recebendo como troco sua contaminação, internação em estado grave e, talvez, por sorte, sua recuperação graças ao excelente serviço de saúde – NHS – disponível no país.

Afinal, até 15 de abril de 2020, pelo menos 1 970 879 casos da doença foram confirmados em mais de 210 países e territórios, Pelo menos 125 910 pessoas morreram (mais de 25 000 nos Estados Unidos, pelo menos 21 000 na Itália, cerca de 18 000 na Espanha, por volta de 15 700 na França, mais de 12 000 no Reino Unido e pelo menos 3 300 na China). (Wikipedia)

Mas parece que esses números e a clara evidência de que as recomendações da OMS não assustam, vem levando alguns governos a arriscar parte de suas populações a contraírem o codiv-19 com futuro imprevisível sombrio.

Os efeitos mundiais da pandemia levaram à instabilidade social e econômica, corridas às compras, xenofobia e racismo contra pessoas de descendência chinesa e do leste asiático, on-line de informações falsas e teorias da conspiração sobre o vírus e o encerramento de escolas e universidades em pelo menos 115 países, afetando mais de 1.6 bilhão de estudantes. 

Enquanto isso, no Brasil, esforços de médicos e cientistas consagrados, na tentativa hercúlea de poupar o país de uma catástrofe – em uma corrida contra o tempo – tenta reduzir nossa deficiência em equipamentos e infraestrutura hospitalar perseguindo as orientações inequívocas da OMS.   

Infelizmente, na contramão, significativa parcela de nossa população iletrada, inculta, desconhecedora sobre o que se passa pelo mundo, é influenciada pela ala política antítese da ciência. Exposta que está, de forma ingênua, milhares de brasileiros inocentes poderão vir a pagar com suas vidas a dívida ora sendo contraída por um…. não consigo encontrar adjetivo qualificativo pertinente!

No Limiar da Nova Aurora

Pesquisei frases natalinas e de votos de feliz ano novo, prontas, para enviá-las a você. Afinal, é o que muitos fazem na época das Festas. Encontrei apenas clichês, frios, revestidos de palavras não menos.

Ponderei sobre o universo de citações colocadas na internet para tornar as pessoas mais preguiçosas ao imaginarem que ao transcrever frases de efeito, padronizadas, cumprem com o que imaginam ser uma obrigação: os cumprimentos de fim de ano. Afinal, imagino eu, toda mensagem é única – ou deveria ser – Continue reading

A prioridade na realização pessoal

A vida é feita de embates desde que nos entendemos por gente. Sempre em tentativas de ocupar espaços que acreditamos serem nossos, ganhando e perdendo como em batalhas planejadas. Na escola foi assim, no meio social não tem sido diferente e no trabalho – pela sobrevivência e perseguição ao sucesso – causas e efeitos se apresentam mais pronunciados.

Quero crer que que é no trabalho que a visibilidade se torna mais cristalina, onde anseios levam não poucos a compactuar na busca da manutenção de um status-quo ou ascensão. E nesse universo, onde tantos lutam para entrar e outros tantos para não sair, a briga é de cachorro grande. Continue reading

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