Desde 2 0 0 8

Categoria: Política (Page 1 of 14)

Ainda Eleições #608

         São 195 os países independentes. O número de países com voto compulsório para eleger seus representantes é de apenas 31. Destes, 14 estão na América Latina, Brasil incluso. Ou seja, apenas 15.9 % dos Estados do planeta optam por esse sistema.

         Se o voto não fosse obrigatório este país certamente teria um perfil político transparente. Não me parece democrático obrigar-se alguém a votar. E ainda punir severamente os “insubmissos”. Se alguma razão existe, eu a desconheço.

         Nos Estados Unidos, como sabemos, não existe a obrigatoriedade. Apesar de possuirem um sistema eleitoral complicado e a meu ver injusto, os cidadãos apenas votam se estiverem convencidos de que deverão fazê-lo, por opção. A campanha do candidato democrata Joe Biden arregimentou uma extrbaordinária força de eleitores, de sindicalistas a estudantes universitários inclusive, que se dispuseram a votar porque acreditaram nas mensagens. Não foram obrigados, mas fizeram uso do direito democrático, opcional, de votar.

         A obrigação de votar por aqui – não o direito apenas – serve para facilitar a eleição de não poucos que buscam a imunidade constitucional para dar-lhes foro privilegiado quando – e se – suas falcatruas forem julgadas. 

         Acredito que com o voto facultativo a politização de nosso povo seria abrangente pois o processo de conscientização política, inevitável. O interesse por eleições, e consequentemente votar, se daria na medida em que propostas fossem consistentes e aceitas como legítimas. Caso contrário, a sociedade se manifestaria através do silêncio. E o recado estaria dado!

         A propósito: o Manual do Candidato às Eleições, escrito em 64 a.C, em Roma, por Quinto Túlio Cícero ensinava: “Você deve constituir amizades de todos os tipos: nomes ilustres, os quais conferem prestígio ao candidato; magistrados, para garantir a proteção da lei… Isso requer conhecer as pessoas de nome, usar de certa bajulação”.

         Nada mudou desde então!

email radeathayde @gmail.com

Verso e reverso de uma mesma moeda # 607

O presidente da República está prestes a perder sua referência, eis que a mudança do inquilino da Casa Branca – seu ídolo – no dia 20 de janeiro de 2021, deverá reconfigurar a linha de conduta e ação de governos mundo afora que – por interesses econômicos, geopolíticos e até ideológicos  – liam pela cartilha do ainda presidente por lá. Por aqui não será diferente. Restará apenas a saudade de um sonho não realizado.

Líder do país mais poderoso do mundo, militar e economicamente, Donald John Trump é um negacionista por excelência. Deixa, em seus quatro anos de governo, a marca de uma profunda divisão da sociedade norte-americana.

Como empresário de origem e ex-astro de reality show, já em seu primeiro mês de governo renegociou o Acordo de Livre Comércio com o Canadá e o México, lançou o projeto de construção de um muro anti-imigração entre os Estados Unidos e o México, proibiu a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, nomeou um juiz conservador para a Suprema Corte. Não foi pouco!

Fora dado o pontapé inicial para – em seu melhor estilo – derrubar tratados internacionais e acordos bilaterais.

Em junho de 2017 anunciou a saída dos Estados Unidos do Acordo Climático de Paris, no ano seguinte aumentou os impostos sobre aço e alumínio importados do México, Canadá e União Europeia, declarou guerra comercial com a China, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel, apesar da desaprovação internacional.

Em 2018 anunciou a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear internacional com o Irã e o restabelecimento das sanções americanas. O mundo levantou as orelhas!

Havia criado uma nova ordem política, social e econômica mundial para o bem ou para o mal. Não foi muito difícil, eis que o mundo inteiro – de uma outra maneira – era e é dependente do Estados Unidos. E ponto final.

Apesar de sucesso na administração da economia e geração de empregos até o advento da pandemia no início deste ano, encontrou no vírus letal – Covid-19 – um oponente à altura que o derrubou. Foi à lona por incompetência negando a existência da doença, desacreditando e desautorizando proeminentes da saúde na área epidemiológica mundial, chegando a retirar os Estados Unidos da OMS – Organização Mundial da Saúde – em Genebra na Suíça. Podia muito, mas não podia tudo! 

Seu país amarga hoje mais de 10 milhões de infectados. Trump perdeu a guerra no negacionismo e os Estados Unidos mais de 240 mil dos seus cidadãos.

O mundo gira rápido e em política não existe fraternidade. Os chefes de governos mais próximos de Trump foram, semana passada, os primeiros a enviar calorosas congratulações a John Biden e Kamala Harris, presidente e vice-presidente eleitos pelo Partido Democrata.  

Verso e reverso de uma mesma moeda!

email: radeathayde@ponderando.com.br

Este o mundo que estamos a viver #602

Os assuntos dominantes desde o fim da semana passada foram o debate entre os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos – Donald Trump e Joe Biden – e a contaminação do primeiro pela Covid-19. O debate, de uma pobreza franciscana, mas de uma agressividade “trumpiana” de um lado – e a apatia do oponente que pretende ser o homem mais poderoso do mundo do outro – é uma demonstração de como a sociedade mais rica do planeta trata de temas que afligem toda a humanidade.

Céu de Brigadeiro à Vista #601

José Celso de Mello Filho, jurista e magistrado, é ministro do STF – Supremo Tribunal Federal – desde 1989. Decano do tribunal desde 2007 foi presidente daquela Corte de 1997 a 1999. Um exemplo de notório saber jurídico e probidade.

Este breve perfil de um dos mais renomados ministros do STF em todos os tempos revela que, ao entrar na aposentadoria em duas semanas, sua cadeira dificilmente será preenchida por alguém próximo de seu quilate.

A Corte é formada por 11 ministros escolhidos entre os cidadãos com mais de 35 e menos de 65 anos de idade, “de notável saber jurídico e reputação ilibada”. Não precisam ser magistrados de carreira, a indicação é feita pelo presidente da República e precisa ser aprovada pela maioria absoluta do Senado. Os ministros são compulsoriamente aposentados aos 75 anos.

Mas os requisitos avaliados por suas excelências – os senadores – nem sempre são objeto de julgamento crítico e severo como no caso do hoje ministro José Antonio Dias Toffoli, indicado pelo ex-presidente Lula ao tempo em que era Advogado Geral da União. Sem mestrado nem doutorado – havia sido reprovado duas vezes para o cargo de juiz – e respondia a processo no Amapá. Mas sabatinado, foi aprovado com folga pelos parlamentares.

Para substituto do ministro Celso de Mello o presidente da República já se manifestou propenso a indicar para a mais alta magistratura do país “alguém terrivelmente evangélico”. Terrível a premissa, mas nada contra quem professa qualquer religião.

Como já existem candidatos visíveis ao cargo, qualquer nome a ser submetido à sabatina no Senado terá céu de brigadeiro. Afinal, o futuro a Deus pertence, mas sabe-se lá se algum dia um dos senadores sabatinadores vier a cair nas teias do STF e tenha reprovado o pretendente durante a arguição… Portanto, altamente improvável qualquer surpresa no quesito!

Digno de nota: no atual Senado Federal um em cada três senadores (são 81) responde a acusações criminais (Congresso em Foco).

Registre-se, por oportuno, que ao longo dos últimos 127 anos – desde a Proclamação da República, em 1889 – o Senado rejeitou apenas cinco indicações presidenciais, todas durante o governo Floriano Peixoto (1891 a 1894).

Mas os tempos eram outros e Brasília… não existia.

 Com eleições municipais previstas para novembro, nunca é demais lembrar que campanhas eleitorais são criadas por marqueteiros. Assim, não são poucos os que votam apenas com os ouvidos e imagens gravadas na memória pelo que lhes é mostrado na televisão.

E mais: resultados das municipais pavimentam a estrada para as majoritárias em 2022…

É necessário ser mais explícito?

e-mail radeathayde@gmail.com

A Palavra é Sua #595

Vivemos em uma sociedade abrigada debaixo do guarda-chuva democrático. A cada dois anos, regido pelo sistema em vigor, a população é lembrada que deve votar- seja para eleições majoritárias ou proporcionais. Obrigado a votar, o eleitor é penalizado se não se apresentar às urnas para cumprir com seu “dever cívico”. Se existe a obrigação de votar, o sistema se autodenuncia por inexistir liberdade de opção em exercer o direito, ou não!

O Brasil permanece, como nação, uma colcha de retalhos coloridos. Desnecessário entrar em detalhes cansativos das razões, por demais conhecidas.

Desde a Proclamação da República, nos idos de 1889, mediante um golpe de Estado político-militar e tendo como primeiro mandatário o Marechal Deodoro da Fonseca, a colcha vem sendo tramada, remendada, por sucessivos herdeiros políticos.  

E apesar de sermos o quarto maior país em extensão territorial do planeta, depois de Rússia, Canadá e China, é o único considerado do terceiro mundo, eufemisticamente, “em desenvolvimento” …

Triste sermos o segundo maior exportador mundial de alimentos e não conseguirmos alimentar toda a população saudavelmente. Ser o segundo maior produtor de minério de ferro do planeta, o terceiro maior produtor mundial de manganês e aquele que concentra 98% das reservas conhecidas de nióbio no mundo (usado em cápsulas espaciais, reatores nucleares, semicondutores). E permanecermos pobres.

Paradoxalmente, Universidades brasileiras reconhecidas – muitas internacionalmente – tem produzido mentes brilhantes, homens e mulheres capacitadas academicamente, seja nas artes, na cultura, na ciência. Mas a história parece demonstrar que para acordar este gigante – deitado eternamente em berço esplêndido – é preciso mais que educação de nível superior.

A riqueza de nosso solo e biomas não parecem ser suficientes para bancar a “revolução na educação” eis que carecemos de educação de base de qualidade, alicerce da formação de escol, tema espinhoso sempre relegado a segundo plano por governos seguidamente.

Já são 131 anos desde a libertação do país do jugo colonial. Mas ainda permanecemos sob o jugo da ausência do Estado na Educação, da insalubridade que afeta metade da população, da impunidade servil aos poderosos.

Se é verdade, segundo Pero Vaz de Caminha, que no Brasil em se plantando tudo dá, então é chegada a hora de plantar a Educação de alto nível no país. Sementes de qualidade não nos faltam. Nem produtores.  

Falta-nos, então, o que? A palavra é sua!

COMPARTILHE

Cisão entre Moral e Política “Os fins justificam os meios” (Nicolau Maquiavel) #594

A pandemia vem mexendo com todo mundo em maior ou menor grau. Tem-se tempo para pensar mais profundamente sobre os fatos da vida, sopesar verdades que se tornam menos absolutas.

Com algumas décadas de estrada, vejo um Brasil que aos trancos e barrancos vem progredindo nos últimos 100 anos – a passos de cágado é verdade – em setores como educação, direitos fundamentais, consolidação de instituições republicanas para o aperfeiçoamento da democracia.

Mas percebo alterações radicais no perfil do cidadão (cidadã) brasileiro. Será que o povo cordial, afável, alegre, amante do carnaval irreverente, apaixonado pelo futebol moleque, irmanado em momentos de tragédias como enchentes e deslizamentos de terra, dividindo o pouco que tem com quem nada tem, poderá estar mudando?

Seria consequência de radicalismos que vem – crescentemente – tomando conta de ações do governo federal via exemplos verbais e posturais confundindo a população, demonstrando uma insensibilidade insana em manifestações diárias? Seria porque aquele que deveria dar o exemplo como condutor dos destinos do país e sua gente se omite – deixando o destino da Saúde por conta de um general de brigada do Exército Brasileiro, da ativa, a recuperação da Economia por conta do “Guedes”, a defesa dos interesses nacionais junto ao Congresso Nacional delegada a terceiros?

E o brasileiro sofredor, permanecendo impotente no meio de uma guerra de versões sobre sua saúde dentro uma população que já perdeu mais de 100 mil de seus irmãos às sepulturas, inúmeras em covas rasas?

Não sei se nos encontramos em estado de letargia assistindo a tudo no melhor estilo “Nero na Roma antiga” ou à instituição lenta e gradual de uma nova República em perseguição, talvez, à ruptura – o que quer isso signifique – referida pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, poucos meses atrás, quando indagado se ela poderia vir a existir. Como resposta: “se, não, quando”!

A beleza da democracia é que ela permite a qualquer cidadão pensar e agir com liberdade, de acordo com a sua consciência. Não em todos os lugares do planeta, é verdade, onde até os dias de hoje ainda impera uma espécie de Absolutismo – sistema político que defendia o poder absoluto do monarca sobre o Estado e que durou três séculos até o XIX.  

E em pleno século XXI a obstinação do homem pelo poder absoluto permanece viva. Lembrando-se o que Nicolau Maquiavel – historiador e filósofo político (1469-1527) defendeu, em sua obra o Príncipe, nos idos do século XVI: a cisão entre Moral e Política.

Qualquer semelhança com os dias de hoje é mera coincidência.

A Verdade é Nua e Crua? #593

O assunto não morre, quem morre são as vítimas da covid-19 que hoje (3/9) já somam mais de 94 mil no Brasil.

Enquanto navegamos dentro desse furacão o candidato a presidente da República, em 2022, cavalga pelo Nordeste sem máscara, provocando aglomerações, contrariando orientações da OMS, como se não fora o país considerado – pela mesma instituição – como um dos três mais perigosos para o restante do mundo, representando uma ameaça aos países que, hoje, conseguiram um certo controle do vírus. Restante do mundo!

Em flagrante campanha eleitoral antecipada, o inquilino do Palácio do Planalto abstém-se de liderar o combate à pandemia negando sua letalidade e louvando medicamento descartado pela comunidade científica como sendo ineficiente no combate ao vírus.

Talvez por não outra razão, o cientista suíço e colaborador da OMS (Organização Mundial da Saúde), Didier Pittet, considerado como um dos principais epidemiologistas na Europa, declarou que a resposta do governo brasileiro diante da pandemia deve ser alvo de um inquérito ou de uma avaliação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que não haverá solução mágica contra a Covid-19 no Brasil, que o país precisará percorrer um “longo caminho” para sair da crise e sugere que as autoridades no país repensem suas estratégias se quiserem superar a pandemia. “Chegou o momento de alguns governos “darem um passo para atrás agora” e avaliar se de fato estão fazendo tudo o que podem, politicamente, economicamente, e em termos de saúde para suprimir o vírus”

“O mundo nunca viu algo assim desde 1918 e o impacto será sentido por décadas. Mas o seu controle está em nossas mãos” alerta a OMS.  A agência voltou a solicitar que governos atuem em todas as frentes, com testes, isolamento, distância, uso de máscaras e higiene, além de ampliação dos investimentos no setor de saúde. A ordem é a de não aguardar pela vacina.

Com tristeza e apreensão assisto, impotente, diariamente, às cenas de descaso do governo pelo desespero e desalento de famílias enlutadas. Na contramão de tudo que já aprendemos sobre a covid-19, a negação da gravidade ora enfrentada. No exemplo demagógico, uma frieza perturbadora diante da realidade.    

Mas, então, se assim for, o que não consigo vislumbrar?

Será que nos encontramos diante de uma conspiração mundial para descrédito da ciência – apesar de grupos de cientistas, aparentemente idôneos, terem visão distinta da realidade ora sendo enfrentada? Se sim, por que? Com que interesse? Orquestrado por quem ou quais grupos?

Se não, a realidade que se apresenta é, dolorosamente, dramática. Beira a criminalidade.

(COMPARTILHE)

Prenúncio de novas calamidades?

A sociedade assiste com olhar preocupante a presença de militares em cargos técnicos, como no Ministério da Saúde. O ministro interino, general de divisão, da ativa, considerado gestor competente por sua história – não possui qualquer vivência na área médica. É o terceiro, em curto espaço de tempo, a suceder dois conceituados médicos de currículos e históricos elogiáveis com reconhecimento internacional. Por fim, são 25 os fardados ocupando cargos antes de técnicos da área. Imagina-se um epidemiologista à frente do Ministério da Defesa? Continue reading

Que Deus nos ajude!

Ladeado por dois oficiais generais do Exército Brasileiro e acompanhado por uma penca de ministros, em reunião dita ministerial no dia 22 de abril, o presidente da República Federativa do Brasil fazendo uso de palavras de baixo calão – com frases chulas e pronúncia cristalina – demonstra não apenas aos brasileiros, mas ao mundo todo, o nível da mais alta instância do país. Um escárnio em relação a sociedade brasileira! Continue reading

Narcisismo presidencial

Na psicologia, narcisismo é o nome dado a um conceito desenvolvido por Sigmund Freud (criador da psicanálise) que determina o amor exacerbado de um indivíduo por si próprio e, sobretudo, por sua imagem.

O nome do transtorno de personalidade está associado ao mito de Narciso, ou seja, nos estudos da psicologia a pessoa narcisista preocupa-se excessivamente com si próprio e com sua imagem. Continue reading

« Older posts

© 2020 PONDERANDO

Theme by Anders NorenUp ↑