Desde 2 0 0 8

Categoria: Tecnologia (Page 1 of 2)

Geração Digital #606

Em entrevista à BBC (British Broadcasting Corporation) News Mundo, o neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França alerta: “Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento”.

Com dados concretos e de forma conclusiva, expõe como os dispositivos digitais estão afetando seriamente — e para o mal — o desenvolvimento neural de crianças e jovens. “As evidências são palpáveis: já há um tempo que o testes de QI têm apontado que as novas gerações são menos inteligentes que anteriores.”

Não estamos falando de um neurocientista qualquer, mas sim de alguém que já passou por centros de pesquisa renomados como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Seus estudos concluem que os jovens de hoje são a primeira geração da história com um QI (Quociente de Inteligência) inferior ao dos pais, uma tendência que foi documentada na Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda, França.

Vários estudos têm mostrado que quando o uso de televisão ou videogame aumenta, o QI e o desenvolvimento cognitivo diminuem. Os principais alicerces da nossa inteligência são afetados: linguagem, concentração, memória, cultura. Em última análise, esses impactos levam a uma queda significativa no desempenho acadêmico.

“São, em média, quase três horas por dia para crianças de 2 anos, cerca de cinco horas para crianças de 8 anos e mais de sete horas para adolescentes. Isso significa que antes de completar 18 anos, nossos filhos terão passado o equivalente a 30 anos letivos em frente às telas ou, se preferir, 16 anos trabalhando em tempo integral!” É simplesmente insano e irresponsável afirma o neurocientista.

As causas também são claramente identificadas: diminuição da qualidade e quantidade das interações intrafamiliares, essenciais para o desenvolvimento da linguagem e do emocional; diminuição do tempo dedicado a outras atividades mais enriquecedoras (lição de casa, música, arte, leitura; perturbação do sono, que é quantitativamente reduzida e qualitativamente degradada; superestimulação da atenção – levando a distúrbios de concentração -, aprendizagem e impulsividade; subestimulação intelectual – que impede o cérebro de desenvolver todo o seu potencial – e o sedentarismo excessivo que, além do desenvolvimento corporal, influencia a maturação cerebral.

Com o pensamento negacionista em evidência, interesses econômicos e financeiros poderosos bradarão aos quatro ventos tratar-se de mais uma sirene alarmista (a prejudicar seus negócios). Não é! É ciência!

Sugiro, portanto, a leitura na íntegra da entrevista do Dr. Michel Desmurget acessando

https://www.bbc.com/portuguese/geral-54736513

email – radeathayde@gmail.com

A desatualização é um vírus letal #605

O emprego é um contrato de trabalho estabelecido entre duas partes, onde uma compra o conhecimento da outra para executar tarefas que visem atender os objetivos do contratante.

Simples assim, o contratado (empregado) vende seu conhecimento pelo valor de mercado que – como qualquer produto – depende das condições econômicas, políticas e sociais do momento.

Com isto em mente, é fácil compreender que a flutuação entre atender as necessidades de mercado e a dinâmica dos negócios valoriza – ou torna obsoleto – aquele que é o maior ativo que um profissional pode possuir: seu conhecimento!

Em tempos de desenvolvimento tecnológico acentuado como na última década – quando máquinas vem substituindo mão de obra e a exigência de conhecimentos técnicos variáveis, culturais e de relacionamento pessoal tem sido crescente – a desatualização é um vírus letal.    

A pandemia está acelerando a mudança radical do perfil dos negócios e das profissões. As leis ocultas de mercado são impiedosas, camufladas, apenas poupando profissionais que se mantem navegando, apesar das tormentas.

“Muitas carreiras desaparecerão e outras serão substancialmente alteradas. Até 2030, espera-se que a taxa de desemprego global cresça 4 vezes, dos atuais 4,9% para 20% (Fórum Econômico Mundial, The Future of Jobs)”. Alerta!

Lentamente, novas profissões estão surgindo enquanto muitas estão definhando, aguardando o ocaso. Nenhuma novidade quanto a isso já que há décadas o processo vem se acelerando. A título de curiosidade, profissões imprescindíveis como telefonista, linotipista, mensageiro, operador de mimeógrafo, datilógrafo, ator e atriz de rádio, lanterninha de cinema, arquivista já desapareceram.

Operadores de caixa e telemarketing estão na marca do pênalti. Na fila, digitadores, corretores de imóveis, caixas de banco, relojoeiros, contadores, agentes de viagem, carteiros… Falta-me espaço para continuar.

Por não outra razão, atualização permanente de conhecimentos e percepção aguda com capacidade de ler sinais e entrelinhas não apenas de sua profissão, mas também do em torno onde ela está inserida – política interna, externa, econômica, internacional – podem fazer a diferença no radar dos acontecimentos e sua influência onde atua.

Ficar um passo à frente pode ser um “plus” na manutenção de seu emprego. Isto significa ter perfeita noção que suas aptidões, formação e experiência correm o risco de ter caducado!

Novas profissões estão em curso, tendo as tecnologias como ferramentas indispensáveis e exigindo conhecimentos adicionais para sua reformulação, integrando ciências exatas às sociais como a medicina,  biologia, psicologia.

As Humanidades – não mais engessadas – passam a conviver com robôs que não são capazes de interpretar situações humanas, como dilemas sociais, valores, cultura, prioridade do certo e errado, entre outros. A máquina pode não ter essa sensibilidade, mas saiba que filósofos, antropólogos e psicólogos estão cada vez mais trabalhando com inteligência artificial, porque o sistema precisa de humanização. Novíssimos tempos!

O amanhã já chegou!

email – radeathayde@gmail.com

A esperança está no Arroio dos Ratos

Mergulhado em confinamento e isolamento social, mas acompanhando a contragosto conflitos de interpretação e interesses sombrios sobre os (des)caminhos da covid-19, aproveito para fazer uma aposta com você. Vale uma garrafa de água mineral, sem gás, que desconhece a notícia que segue.

Isadora Stefanhak Costa Arantes, de 17 anos, aluna do 3º ano do Colégio Cenecista Santa Bárbara, em Arroio dos Ratos (RS), foi premiada com a participação em um curso de imersão no universo da astronomia, nos Estados Unidos, que inclui até treinamento para astronautas. E mais: incluída no processo seletivo do programa desenvolvido pela Advanced Space Academy [Academia Espacial Avançada] destinado a jovens de até 18 anos, Isadora apresentou um projeto, bem sucedido, de combustível para mini foguetes em garrafas pet.” Touché!

Como é sabido e notório, notícias que não causam polêmica ou criam clima de conflitos não saciam a fome de uma imprensa que precisa vender para se sustentar na guerra pela audiência, leia-se anúncios e patrocínios.

Com tanta miséria exposta pelas mídias internacional e local, nossos neurônios são retroalimentados, diuturnamente, por agentes poluidores classificados como notícias. Nesses tempos de incertezas quanto ao futuro que se desenha cada vez mais distante, carecemos de informações positivas e otimistas que nos ajudem a desobstruir o fígado (segundo maior órgão humano depois da pele). Sobrecarregado, acredite, sofre com agressões agudas por, inclusive, emoções causando graves danos à saúde física e emocional.

Segundo a Medicina Chinesa, a emoção que mais afeta e prejudica o fígado é o sentimento de irritação, agressividade, rancor ou frustração, motivados por aborrecimentos, injustiça ou rejeição sofridas.

Como somos seres emocionais por excelência, deixamo-nos levar pelo que os olhos veem, os ouvidos captam e o cérebro registra liberando a adrenalina que nos faz… aguentar o tranco. Por outro lado, notícias agradáveis e otimistas – como comprovado pela ciência – são capazes de impactar o funcionamento de nosso corpo de forma autônoma proporcionando o bem estar.

Assim, anonimamente, eu e meu fígado agradecemos à Isadora, lá de Arroio dos Ratos (RS), a oportunidade de – pelo exemplo – depositar mais fé em nossos jovens presentes nos recônditos deste imenso país aguardando pela oportunidade de serem revelados.

Permaneço no aguardo de mais notícias desse calibre divulgadas por quem quer que seja. O Brasil de nossos olhos e ouvidos agradece.

E eu, também, pela minha água mineral, sem gás. Estou cobrando!

A História lá na Frente

A Economia é dependente de pessoas com Vida. E esta não é submissa!

Mas no Brasil, parcela significativa da população sobrevive e carece de saúde pelo meio insalubre em que habitam sem coleta de esgoto (100 milhões) nem água tratada (35 milhões) e 33 milhões sem ter onde morar. Uma verdadeira pandemia social!

“A história lá na frente vai nos julgar. Eu peço a Deus para que nós estejamos certos lá na frente. Então, essa briga de começar a abrir para o comércio é um risco que eu corro, porque, se agravar, vem para o meu colo”. (Presidente JMB sobre o covid-19) Continue reading

Invasão de Privacidade

Fosse eu um advogado hábil e talentoso – o que, por certo, não sou – e me disporia a “escarafunchar” todos os compêndios de leis em busca de brechas, que sempre existem, para mover uma ação sobre o que irei expor mais adiante. A julgar-se por decisões, frequentes, dos doutos do Supremo Tribunal Federal e ações movidas por causídicos de peso – cujos honorários são pagos com cheques de sete dígitos – a atual legislação serve para uns, mas não para todos. Continue reading

Estamos sendo, todos, manipulados

Sapeando a internet pela manhã na tentativa de atualizar-me sobre os acontecimentos mundanos deparo-me, como habitualmente, com notícias irrelevantes para meu crescimento e erudição (?). Ainda que não as leia, os olhos, por segundos, passam por algumas deixando registros em meu cérebro. Inevitável que assim seja e os marketólogos sabem muito bem disso. Uma enxurrada de futilidades, não poucas disponibilizando o gosto discutível de matérias, certamente pagas, em uma espécie de lavagem cerebral. Somos prisioneiros de uma tecnologia perversa que nos impõe – mediante a aplicação de técnicas cognitivas – assimilar muito do que não queremos. Inclusive enxurradas de mensagens publicitárias indesejáveis. Continue reading

O Brasil e a Questão Ambiental

Aprendi – em um documentário sobre o clima – seus desvarios e soluções pragmáticas para deter a mudança climática, que todo e qualquer vegetal, principalmente árvores e florestas, por óbvio, absorvem o CO2 (dióxido de carbono) da atmosfera, liberam o oxigênio e retém o carbono. Resultado: redução dos níveis de carbono na camada de gases que envolve o planeta, tornando-o mais saudável para a humanidade.

O dióxido de carbono, também conhecido como gás carbônico, é associado ao chamado efeito estufa e considerado prejudicial ao meio ambiente, como visto acima. Informações geradas pela Wikipédia demonstram que, entre 1991 e 2000, a área total desmatada para a pecuária e abertura de estradas da maior floresta tropical do mundo aumentou mais que seis vezes que a área de Portugal, 64% maior que a da Alemanha, 55% maior que a do Japão. E você nem desconfiava…

A maior parte da população desconhece que, em 2008, foi criado o Fundo Amazônia para prevenir, monitorar e combater o desmatamento. Entre os maiores doadores do Fundo estão países comprometidos seriamente com a qualidade do clima: Noruega (94%), Alemanha (5%). A Petrobrás participou com modestos 1%.

Mas a preocupação com notícias da imprensa que dão conta que o governo federal pretende usar recursos do Fundo para indenizar fazendeiros que possuem imóveis em áreas de proteção ambiental pode levar os dois países europeus a encerrar suas doações. São doações para investimentos, não reembolsáveis, a fundo perdido, que já disponibilizaram cerca de R$ 3 bilhões para o país. Verba que, entre outros destinos louváveis, permite que o Brasil possa pesquisar e preservar a floresta amazônica sem gastar um centavo sequer.

Vale lembrar, no entanto, que o desmatamento na floresta amazônica em junho deste ano foi 88% superior ao verificado no mesmo período de 2018, segundo dados do INPE divulgados nesta semana. No ano passado, ainda no governo Temer, e devido ao aumento do desmatamento entre 2015 e 2016, os europeus chegaram a cogitar suspender as doações. Dando um voto de confiança ao Brasil, acreditando que o país faria sua parte para reverter o problema, suspenderam a intenção. Não fizemos o dever de casa!

Assim, nossa sociedade deve ficar alerta para o papel que este país representa na questão ambiental dentro da ordem mundial. Que não deixe ficar na mão – ou bolsos – de políticos a parcela de responsabilidade que lhe cabe na preservação de um meio ambiente sustentável para todos. Ou, que se revele de uma vez.

Somos parte do problema… e da solução! Falta-nos credibilidade!

Curtiu? Compartilhe

email: radeathayde@ponderando.com.br

Esta não é uma gravação

Sou adepto de inovações tecnológicas. Como em tudo na vida, apresentam (as inovações) aspectos positivos e negativos a depender de seu uso. O automóvel, por exemplo, se usado com responsabilidade para o fim destinado é de valia indiscutível; caso contrário, é uma arma. E as armas: começaram a ser fabricadas para servirem de autodefesa desde sempre. Como o ser humano é um animal que se distingue por agir com racionalidade, mas não raro ignora esta faceta, fez e faz de seu uso um instrumento visando a (também) letalidade de seu semelhante.   

A tecnologia da telefonia móvel é outro bom exemplo. Criou o celular há cerca de – apenas – 40 anos revolucionando a forma de como os humanos podem se comunicar. Desde então, seu aperfeiçoamento constante, em escala exponencial, vem transformando o como o homem (e a mulher, por óbvio) se comunica fazendo uso daquela “caixinha” mágica de aproximadamente 14×7 cm. Aceita conversas com várias pessoas ao mesmo tempo, fotografa, arquiva mensagens e fotos, acessa sua conta bancária e permite transações financeiras sem sair de casa, recebe e envia mensagens, acessa o noticiário televisivo e impresso e, reúne uma infinidade de recursos jamais imaginados. Magistral!

Por outro lado – e aqui, estou certo, devo ser questionado por meu posicionamento -, o uso de um do aplicativos gratuitos para troca de mensagens mais usados, o WhatsApp, tem levado as pessoas a se comunicarem apenas virtualmente. O que deveria, a meu ver, ser uma alternativa em caso de impedimento de comunicação por voz, tornou-se uma regra distanciando as pessoas. Lamento.

Uma das maravilhas desenvolvidas pelo ser humano é a habilidade de usar a fala, do mirar o olho no olho, sentindo emoções apenas presentes em contatos presenciais. Nessa impossibilidade, ao fazer uso de palavras digitadas e não da voz, quando em contatos virtuais, perde-se aquela sensação de aproximação com o outro pelo tom – que pode expressar afeto, carinho, dúvida, desencanto, aprovação ou crítica silenciosa. Uma artificialidade sem fim, como se robôs fôssemos. Aliás, creio que não estamos muito longe disso…

Assim, consciente de ser voto vencido – de goleada – em qualquer discussão sobre este assunto, permaneço à disposição de leitores, amigos e parentes para ouvir sua agradáveis vozes e tons de emoção – quaisquer que sejam eles – para certeza que estamos vivos e bem.

Ou seja: “esta não é uma gravação…”  

Curtiu? Compartilhe

Estaremos nós a serviço da tecnologia em futuro próximo?

Quanto maior o desenvolvimento da tecnologia da informação (TI) menor parece ser a comunicação efetiva e afetiva entre as pessoas. Entenda-se comunicação como sendo entendimento, aproximação.

O choque de costumes, agravado em certas partes do planeta por levas de migrantes na busca por uma vida melhor em terras tão distantes quanto as novas culturas a enfrentar, parece estar provocando uma profunda reformulação – invisível, talvez – nas regras de convivência e comunicação humanas. Continue reading

« Older posts

© 2020 PONDERANDO

Theme by Anders NorenUp ↑