Desde 2 0 0 8

Autor: Roberto Alves de Athayde (Page 1 of 61)

Quantos são os mandatos em uma vida? #609

Em 1900, a expectativa de vida era de 33,7 anos. Em 1960, de 52,5 anos. Para os que nascem em 2020, a média é de 76,7 anos e a projeção para os que vierem a nascer em 2040, 79,9 anos.

Como toda regra tem exceção, fique tranquilo, pois diariamente a previsão vem sendo quebrada por muitos, não é uma ciência, e o que vale mesmo é viver o nosso dia a cada dia.

Se sua idade é superior aos famosos 60 anos – considerado ponto de inflexão na geriatria – é praticamente de conhecimento comum que as doenças mais referidas e que acometem as pessoas após aquela idade são as cardiovasculares, diabetes, demência, osteoporose, tonturas, incontinência urinária, entre outras. 

Assistindo a um programa de TV em meu recanto de isolamento – sugerido pela ciência visando minha proteção contra o vilão da década, Covid-19 – um comentarista inconveniente lembra que o presidente-eleito dos EUA, Joe Biden – idade 78 –, deverá concluir apenas um mandato haja vista  a idade que terá daqui a 4 anos…

Afinal, segundo expectativa majoritária, creio eu, seria de se esperar que as funções cognitivas de alguém com a idade de Joe Biden já tenha perdido extremo vigor; mas tendo enfrentado uma maratona como a da ferrenha campanha presidencial contra um candidato tinhoso com Trump, a expectativa parece não se confirmar. Oxalá!

Assim, idade cronológica nestes tempos de altíssima tecnologia desenvolvida pela e para a área médica coloca por terra teorias sobre longevidade. Imagine-se a vovó de 50 anos atrás cuidando dos netos, fazendo crochê na cadeira de balanço, com pouca ou nenhuma atividade. E hoje, à fartura, avós com 80 anos e mais, ativíssimas, partilhando interesses extracurriculares.

As novas gerações de aposentados, ainda em plena forma produtiva, mas desativados por um sistema e economia perversos, com muita lenha para queimar, são os candidatos preferidos de muitas das doenças mencionadas. Cabendo sempre lembrar a frase “mens sana in corpore sano” (“mente sadia em corpo sadio”). O que me traz à mente uma que Augusto Hermes (meu pai) proferia à larga: “quando a cabeça não funciona o corpo padece”. Touché! 

Assim, meu caro ou minha cara, se você está enquadrado na camisa de força da idade, ou de um simples número, ajuste sua sintonia com carinho. Males todos os temos, mas fique de olho na sintonia. O tempo ruge, mas o leão é manso.

E.T. Em janeiro próximo termino meu 86º mandato de vida. Espero ser reeleito.

email: radeathayde@ponderando.com.br

Ainda Eleições #608

         São 195 os países independentes. O número de países com voto compulsório para eleger seus representantes é de apenas 31. Destes, 14 estão na América Latina, Brasil incluso. Ou seja, apenas 15.9 % dos Estados do planeta optam por esse sistema.

         Se o voto não fosse obrigatório este país certamente teria um perfil político transparente. Não me parece democrático obrigar-se alguém a votar. E ainda punir severamente os “insubmissos”. Se alguma razão existe, eu a desconheço.

         Nos Estados Unidos, como sabemos, não existe a obrigatoriedade. Apesar de possuirem um sistema eleitoral complicado e a meu ver injusto, os cidadãos apenas votam se estiverem convencidos de que deverão fazê-lo, por opção. A campanha do candidato democrata Joe Biden arregimentou uma extrbaordinária força de eleitores, de sindicalistas a estudantes universitários inclusive, que se dispuseram a votar porque acreditaram nas mensagens. Não foram obrigados, mas fizeram uso do direito democrático, opcional, de votar.

         A obrigação de votar por aqui – não o direito apenas – serve para facilitar a eleição de não poucos que buscam a imunidade constitucional para dar-lhes foro privilegiado quando – e se – suas falcatruas forem julgadas. 

         Acredito que com o voto facultativo a politização de nosso povo seria abrangente pois o processo de conscientização política, inevitável. O interesse por eleições, e consequentemente votar, se daria na medida em que propostas fossem consistentes e aceitas como legítimas. Caso contrário, a sociedade se manifestaria através do silêncio. E o recado estaria dado!

         A propósito: o Manual do Candidato às Eleições, escrito em 64 a.C, em Roma, por Quinto Túlio Cícero ensinava: “Você deve constituir amizades de todos os tipos: nomes ilustres, os quais conferem prestígio ao candidato; magistrados, para garantir a proteção da lei… Isso requer conhecer as pessoas de nome, usar de certa bajulação”.

         Nada mudou desde então!

email radeathayde @gmail.com

Verso e reverso de uma mesma moeda # 607

O presidente da República está prestes a perder sua referência, eis que a mudança do inquilino da Casa Branca – seu ídolo – no dia 20 de janeiro de 2021, deverá reconfigurar a linha de conduta e ação de governos mundo afora que – por interesses econômicos, geopolíticos e até ideológicos  – liam pela cartilha do ainda presidente por lá. Por aqui não será diferente. Restará apenas a saudade de um sonho não realizado.

Líder do país mais poderoso do mundo, militar e economicamente, Donald John Trump é um negacionista por excelência. Deixa, em seus quatro anos de governo, a marca de uma profunda divisão da sociedade norte-americana.

Como empresário de origem e ex-astro de reality show, já em seu primeiro mês de governo renegociou o Acordo de Livre Comércio com o Canadá e o México, lançou o projeto de construção de um muro anti-imigração entre os Estados Unidos e o México, proibiu a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, nomeou um juiz conservador para a Suprema Corte. Não foi pouco!

Fora dado o pontapé inicial para – em seu melhor estilo – derrubar tratados internacionais e acordos bilaterais.

Em junho de 2017 anunciou a saída dos Estados Unidos do Acordo Climático de Paris, no ano seguinte aumentou os impostos sobre aço e alumínio importados do México, Canadá e União Europeia, declarou guerra comercial com a China, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel, apesar da desaprovação internacional.

Em 2018 anunciou a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear internacional com o Irã e o restabelecimento das sanções americanas. O mundo levantou as orelhas!

Havia criado uma nova ordem política, social e econômica mundial para o bem ou para o mal. Não foi muito difícil, eis que o mundo inteiro – de uma outra maneira – era e é dependente do Estados Unidos. E ponto final.

Apesar de sucesso na administração da economia e geração de empregos até o advento da pandemia no início deste ano, encontrou no vírus letal – Covid-19 – um oponente à altura que o derrubou. Foi à lona por incompetência negando a existência da doença, desacreditando e desautorizando proeminentes da saúde na área epidemiológica mundial, chegando a retirar os Estados Unidos da OMS – Organização Mundial da Saúde – em Genebra na Suíça. Podia muito, mas não podia tudo! 

Seu país amarga hoje mais de 10 milhões de infectados. Trump perdeu a guerra no negacionismo e os Estados Unidos mais de 240 mil dos seus cidadãos.

O mundo gira rápido e em política não existe fraternidade. Os chefes de governos mais próximos de Trump foram, semana passada, os primeiros a enviar calorosas congratulações a John Biden e Kamala Harris, presidente e vice-presidente eleitos pelo Partido Democrata.  

Verso e reverso de uma mesma moeda!

email: radeathayde@ponderando.com.br

Geração Digital #606

Em entrevista à BBC (British Broadcasting Corporation) News Mundo, o neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França alerta: “Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento”.

Com dados concretos e de forma conclusiva, expõe como os dispositivos digitais estão afetando seriamente — e para o mal — o desenvolvimento neural de crianças e jovens. “As evidências são palpáveis: já há um tempo que o testes de QI têm apontado que as novas gerações são menos inteligentes que anteriores.”

Não estamos falando de um neurocientista qualquer, mas sim de alguém que já passou por centros de pesquisa renomados como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Seus estudos concluem que os jovens de hoje são a primeira geração da história com um QI (Quociente de Inteligência) inferior ao dos pais, uma tendência que foi documentada na Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda, França.

Vários estudos têm mostrado que quando o uso de televisão ou videogame aumenta, o QI e o desenvolvimento cognitivo diminuem. Os principais alicerces da nossa inteligência são afetados: linguagem, concentração, memória, cultura. Em última análise, esses impactos levam a uma queda significativa no desempenho acadêmico.

“São, em média, quase três horas por dia para crianças de 2 anos, cerca de cinco horas para crianças de 8 anos e mais de sete horas para adolescentes. Isso significa que antes de completar 18 anos, nossos filhos terão passado o equivalente a 30 anos letivos em frente às telas ou, se preferir, 16 anos trabalhando em tempo integral!” É simplesmente insano e irresponsável afirma o neurocientista.

As causas também são claramente identificadas: diminuição da qualidade e quantidade das interações intrafamiliares, essenciais para o desenvolvimento da linguagem e do emocional; diminuição do tempo dedicado a outras atividades mais enriquecedoras (lição de casa, música, arte, leitura; perturbação do sono, que é quantitativamente reduzida e qualitativamente degradada; superestimulação da atenção – levando a distúrbios de concentração -, aprendizagem e impulsividade; subestimulação intelectual – que impede o cérebro de desenvolver todo o seu potencial – e o sedentarismo excessivo que, além do desenvolvimento corporal, influencia a maturação cerebral.

Com o pensamento negacionista em evidência, interesses econômicos e financeiros poderosos bradarão aos quatro ventos tratar-se de mais uma sirene alarmista (a prejudicar seus negócios). Não é! É ciência!

Sugiro, portanto, a leitura na íntegra da entrevista do Dr. Michel Desmurget acessando

https://www.bbc.com/portuguese/geral-54736513

email – radeathayde@gmail.com

A desatualização é um vírus letal #605

O emprego é um contrato de trabalho estabelecido entre duas partes, onde uma compra o conhecimento da outra para executar tarefas que visem atender os objetivos do contratante.

Simples assim, o contratado (empregado) vende seu conhecimento pelo valor de mercado que – como qualquer produto – depende das condições econômicas, políticas e sociais do momento.

Com isto em mente, é fácil compreender que a flutuação entre atender as necessidades de mercado e a dinâmica dos negócios valoriza – ou torna obsoleto – aquele que é o maior ativo que um profissional pode possuir: seu conhecimento!

Em tempos de desenvolvimento tecnológico acentuado como na última década – quando máquinas vem substituindo mão de obra e a exigência de conhecimentos técnicos variáveis, culturais e de relacionamento pessoal tem sido crescente – a desatualização é um vírus letal.    

A pandemia está acelerando a mudança radical do perfil dos negócios e das profissões. As leis ocultas de mercado são impiedosas, camufladas, apenas poupando profissionais que se mantem navegando, apesar das tormentas.

“Muitas carreiras desaparecerão e outras serão substancialmente alteradas. Até 2030, espera-se que a taxa de desemprego global cresça 4 vezes, dos atuais 4,9% para 20% (Fórum Econômico Mundial, The Future of Jobs)”. Alerta!

Lentamente, novas profissões estão surgindo enquanto muitas estão definhando, aguardando o ocaso. Nenhuma novidade quanto a isso já que há décadas o processo vem se acelerando. A título de curiosidade, profissões imprescindíveis como telefonista, linotipista, mensageiro, operador de mimeógrafo, datilógrafo, ator e atriz de rádio, lanterninha de cinema, arquivista já desapareceram.

Operadores de caixa e telemarketing estão na marca do pênalti. Na fila, digitadores, corretores de imóveis, caixas de banco, relojoeiros, contadores, agentes de viagem, carteiros… Falta-me espaço para continuar.

Por não outra razão, atualização permanente de conhecimentos e percepção aguda com capacidade de ler sinais e entrelinhas não apenas de sua profissão, mas também do em torno onde ela está inserida – política interna, externa, econômica, internacional – podem fazer a diferença no radar dos acontecimentos e sua influência onde atua.

Ficar um passo à frente pode ser um “plus” na manutenção de seu emprego. Isto significa ter perfeita noção que suas aptidões, formação e experiência correm o risco de ter caducado!

Novas profissões estão em curso, tendo as tecnologias como ferramentas indispensáveis e exigindo conhecimentos adicionais para sua reformulação, integrando ciências exatas às sociais como a medicina,  biologia, psicologia.

As Humanidades – não mais engessadas – passam a conviver com robôs que não são capazes de interpretar situações humanas, como dilemas sociais, valores, cultura, prioridade do certo e errado, entre outros. A máquina pode não ter essa sensibilidade, mas saiba que filósofos, antropólogos e psicólogos estão cada vez mais trabalhando com inteligência artificial, porque o sistema precisa de humanização. Novíssimos tempos!

O amanhã já chegou!

email – radeathayde@gmail.com

Você tem Opinião própria? #604

Claro que tem. Todos nós nos posicionamos – perante as situações que surgem – “trocentas” vezes por dia. Nem por isso, como sabe, abre mão de ouvir ou ler sobre pensamentos diferentes do seu. O que não significa que, eventualmente, venha a concordar com o que ouviu ou leu distintamente de como vê o mundo.

Não somos perfeitos nem oniscientes. É verdade que tem gente que não pensa assim e se julga dona da verdade. Quando coloco meus pontos nos i tenho consciência que os pontos são meus, mas os i são dos que leem.

O que você lê aqui é importante? Contribui para incrementar seu conhecimento, revisão de ponto de vista ou apenas saber do que se trata?

Permite-se discordar – e aí se manifestar possibilitando, quem sabe e talvez, uma réplica? E depois uma tréplica quando se justifica? Ou se mantem em silêncio guardando para si sua sagrada – sagrada, sim – opinião?

Escrevo esta matéria em mais um dia de interminável isolamento, na esperança de, quem sabe, encontrar alguém ou alguns – em situação análoga ou não – para melhor compreender esta Nova Era que nos impõe um novo olhar para encarar cada novo dia.

Não são poucos os que já adquiriram essa consciência. Reformular modos de agir e pensar não é fácil. Você e eu sabemos disso. Claro está que, também, são poucos os que se negam a admitir que tudo permanece como era. Aliás, não é preciso uma pandemia para manter como verdadeira essa afirmação. Tudo muda, o tempo todo. “Só Carolina não viu”.

Aliás, a música e letra geniais – do também genial Chico Buarque – composta na década de ’60, a meu ver, não perdeu a validade.

Em meio ao oceano de dificuldades enfrentadas por todos – uns mais, muito mais, outros menos – nossa solidariedade e compreensão evoluíram tomando uma consciência (maior) que ninguém é uma ilha. Figurativamente, somos um arquipélago interligado por pontes. Umas em bom estado e outras nem tanto.

Assim, se conseguiu permanecer lendo até aqui, obrigado.

Coloco-me à disposição para um ponderado bate e volta.

Cuide-se!

email radeathayde@ponderando.com.br.

Sua vida é tão importante quanto a minha #603

O homem é um animal gregário. Aristóteles dizia que o homem não pode suportar a ideia de estar só consigo, quer ser unidade e não individualidade.

A pandemia que se instalou no planeta desde o fim do ano passado, mas sem data para terminar, pegou o ser humano de surpresa ao defrontá-lo com a “COrona VIrus Disease” (Doença do Coronavírus), que agrega o “19” por se referir a 2019, quando os primeiros casos em Wuhan, na China, foram divulgados publicamente pelo governo no final de dezembro.

O assunto, por demais complexo, gera discussões, análises científicas e nem tanto, levando teorias e comprovações ao conhecimento do público, ignorante na matéria, não raro com pouca ou nenhuma compreensão do que está sendo discutido e exposto. Para sua proteção o ser humano aprendeu, de forma simples, que deve manter o distanciamento social, lavar as mãos com frequência fazendo uso de água e sabão ou álcool em gel 90, usar máscaras em quaisquer ambientes. De resto, permanece sem entender muito bem – ou entendendo muito mal – como tecnicamente são avaliados os critérios que determinam o estágio em que se encontra a doença no seio das populações.  

A estratégia para lidar com a CoVid-19 é, na opinião de diversos cientistas, limitada demais para deter o avanço da doença. “Todas as nossas intervenções se concentraram em cortar as rotas de transmissão viral para controlar a disseminação do patógeno”, escreveu recentemente em um editorial Richard Horton, editor-chefe da prestigiosa revista científica The Lancet.” Parece ser muito pouco ainda, o que levou ao desenvolvimento de vacinas em tempo recorde de olho no bilionário e lucrativo mercado mundial.  

O fato é que adentramos em uma Nova Era, apesar da resistência ferrenha do ser humano reconhecê-la em maior ou menor grau. O embate economia/política/saúde leva esse ser dito pensante a considerar o bolso e a forma de encarar a “liberdade” mais importantes que a vida. Os bilhões de potenciais vetores (veículos transmissores de doenças) à solta e mais de um milhão de óbitos mundo afora nestes nove meses parecem não alterar o viés de como enxergamos a sobrevivência. E quanto as flexibilizações? Abriram-se as porteiras!

Não estou certo se milhões de cruzes repousando em terrenos indigentes são suficientes para conscientizar o ser humano a repensar porque habita este planeta, qual sua função e seu destino. O somatório das forças ativas em todo o universo é regente enquanto à orquestra – você, eu, nós – cabe ler as partituras.

A sua vida é tão importante quanto a minha! Cuide-se!

email radeathayde@gmail.com

Este o mundo que estamos a viver #602

Os assuntos dominantes desde o fim da semana passada foram o debate entre os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos – Donald Trump e Joe Biden – e a contaminação do primeiro pela Covid-19. O debate, de uma pobreza franciscana, mas de uma agressividade “trumpiana” de um lado – e a apatia do oponente que pretende ser o homem mais poderoso do mundo do outro – é uma demonstração de como a sociedade mais rica do planeta trata de temas que afligem toda a humanidade.

Céu de Brigadeiro à Vista #601

José Celso de Mello Filho, jurista e magistrado, é ministro do STF – Supremo Tribunal Federal – desde 1989. Decano do tribunal desde 2007 foi presidente daquela Corte de 1997 a 1999. Um exemplo de notório saber jurídico e probidade.

Este breve perfil de um dos mais renomados ministros do STF em todos os tempos revela que, ao entrar na aposentadoria em duas semanas, sua cadeira dificilmente será preenchida por alguém próximo de seu quilate.

A Corte é formada por 11 ministros escolhidos entre os cidadãos com mais de 35 e menos de 65 anos de idade, “de notável saber jurídico e reputação ilibada”. Não precisam ser magistrados de carreira, a indicação é feita pelo presidente da República e precisa ser aprovada pela maioria absoluta do Senado. Os ministros são compulsoriamente aposentados aos 75 anos.

Mas os requisitos avaliados por suas excelências – os senadores – nem sempre são objeto de julgamento crítico e severo como no caso do hoje ministro José Antonio Dias Toffoli, indicado pelo ex-presidente Lula ao tempo em que era Advogado Geral da União. Sem mestrado nem doutorado – havia sido reprovado duas vezes para o cargo de juiz – e respondia a processo no Amapá. Mas sabatinado, foi aprovado com folga pelos parlamentares.

Para substituto do ministro Celso de Mello o presidente da República já se manifestou propenso a indicar para a mais alta magistratura do país “alguém terrivelmente evangélico”. Terrível a premissa, mas nada contra quem professa qualquer religião.

Como já existem candidatos visíveis ao cargo, qualquer nome a ser submetido à sabatina no Senado terá céu de brigadeiro. Afinal, o futuro a Deus pertence, mas sabe-se lá se algum dia um dos senadores sabatinadores vier a cair nas teias do STF e tenha reprovado o pretendente durante a arguição… Portanto, altamente improvável qualquer surpresa no quesito!

Digno de nota: no atual Senado Federal um em cada três senadores (são 81) responde a acusações criminais (Congresso em Foco).

Registre-se, por oportuno, que ao longo dos últimos 127 anos – desde a Proclamação da República, em 1889 – o Senado rejeitou apenas cinco indicações presidenciais, todas durante o governo Floriano Peixoto (1891 a 1894).

Mas os tempos eram outros e Brasília… não existia.

 Com eleições municipais previstas para novembro, nunca é demais lembrar que campanhas eleitorais são criadas por marqueteiros. Assim, não são poucos os que votam apenas com os ouvidos e imagens gravadas na memória pelo que lhes é mostrado na televisão.

E mais: resultados das municipais pavimentam a estrada para as majoritárias em 2022…

É necessário ser mais explícito?

e-mail radeathayde@gmail.com

Seiscentésima #600

Durante os últimos 12 anos – semanalmente – apreciações, análises, avaliações tem sido aqui externadas na tentativa de levar aos leitores ponderações sobre temas do momento, igualmente espelhados no blog Ponderando, que tem como filosofia “acreditar na magia da palavra escrita como elo de aproximação entre pessoas que comungam de um mesmo pensamento e fonte de oportunidades para reflexão de outras tantas que assim não pensam.”

Trata-se, portanto, de uma avenida de duas mãos. Consciente ou inconscientemente somos todos influenciados pela leitura. A palavra escrita tem o poder de formar opiniões – ou deformar informações – nos tornar críticos e reflexivos, com alcance profundo no direcionamento de nossas vidas.

 Uma palavra mal verbalizada pode ser apagada pelo tempo. A escrita, jamais! Não por outra razão a responsabilidade que recai sobre quem escreve não pode nem deve ser minimizada. Parafraseando Saint-Exupèry, em seu “O Pequeno Príncipe”: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que… escreves”. Consciente ou inconscientemente somos todos influenciados pela leitura.

O desenvolvimento tecnológico – incrementando velocidades e reduzindo tempos em todas as atividades – vem transformando o perfil do leitor. Publicações digitais ampliam o universo da leitura ampliando também a gama de opções em um único lugar. Portas mais largas abertas para os aficionados.

 O ato de ler não é um ato solitário. A interação entre autor e leitor é intrínseca. A procura por informação, conhecimento ou diversão cria uma cumplicidade ainda que temporária entre eles. A aprovação – ou rejeição – com exceções, permanecerá reservada. Mas, certamente, ambos permanecerão ativos ainda que, eventualmente, em condições diversas.  

 Esta coluna está comemorando sua seiscentésima edição.

Tem resistido ao tempo sem qualquer esforço ou obrigação, assim como o blog que lhe deu origem. A parceria com o JC tem sido incondicional, respeitosa, dentro dos preceitos que regem o bom jornalismo.

 A você, leitor, leitora, ao Jornal Cidade de Holambra, obrigado por fazerem parte de nossa história.      

 e-mail – radeathayde@ponderando.com.br

 

 

« Older posts

© 2020 PONDERANDO

Theme by Anders NorenUp ↑