Autor: Roberto Alves de Athayde (Page 1 of 62)

… morrendo por asfixia… Que país é esse?? # 613

Por não compactuar com ideologias que ferem a democracia, o senhor Jair Messias Bolsonaro recebeu meu iludido voto. Já demonstrou a que veio e não é mais o meu presidente. Apesar de ostentar o título oficial de chefe do governo no regime presidencialista, não preside. Com o devido respeito!

Em processo de contínua desconstrução da estrutura legítima e democrática existente há dois anos, em acelerada corrida contra o tempo, visa criar um complexo que lhe permita manter o poder por tempo ainda sujeito a definição. Suas vãs promessas eleitoreiras, atos e falas inconsequentes, quase diárias, assustam quem esperava uma “nova política”. Sem qualquer liderança para enfrentar imensos desafios como a pandemia global – por ele negada desde o início do surto – e a condução equivocada da vida política a reboque das atitudes e abominável comportamento de seu ídolo – o ex-presidente do Estados Unidos, Donald Trump.

A invasão do Capitólio (EUA) no último dia 6 – incentivada por seu mestre e reputada como insurreição pelo presidente eleito Joe Biden – conflito que deixou assassinados, depredações, vandalismo, violações de direitos constitucionais, mereceu do senhor Jair Messias a seguinte afirmação: “E aqui no Brasil, se tivermos o voto eletrônico em 22, vai ser a mesma coisa; se nós não tivermos o voto impresso em 22, uma maneira de auditar voto, nós vamos ter problemas piores do que os Estados Unidos.”   

Um alerta visando a incitação à violência caso sejam mantidas as (legais) regras eleitorais vigentes há 26 anos? Que país é esse?

No momento caótico em que “rachadinhas”, milicianos e “Queirozes” intocáveis – apaniguados dos filhos daquele que desdenhou da pandemia desde seu início – e que por aqui já ceifou a vida de mais de 209 mil brasileiros, a perplexidade se instala. Politizando a aprovação de vacinas, incompetente para meses atrás fazer encomendas como todos os países desenvolvidos, incapaz de deslanchar uma campanha de imunização.

O governo alardeou a compra de vacinas da Índia, enquanto o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Indiano afirmava que o país ainda estava avaliando a possibilidade de exportar doses de imunizante produzidos em seu território e que seria “muito cedo” para dar uma resposta. Ilusionismo!

Perdido está, como o seu General da Saúde, incapaz de criar condições de sobrevivência da população que vem morrendo por falta de cilindros de O2 em Manaus. Seu negacionismo sobre a pandemia, sobre vacinas que não irão nos transformar em jacarés, beira as raias da revolta. Desumana a trajetória desse senhor à frente do país, dando-lhe as costas.   

Avaliando a situação, governantes, historiadores e personagens representativas lembram as razões que levaram o Tribunal de Nuremberg marcar a História Universal. Questionam se a impunidade vai permanecer por aqui.

Quem viver (ou sobreviver) verá.

e-mail radeathayde@ponderando.com.br

Free Will, Freedom or What?

Without vaccine and worldwide ignorance about the magnitude of Covid-19, the first steps taken by science around the world were trial and error. Spreading across the planet at a great speed, with all countries lacking adequate hospital infrastructure to face a pandemic with no date to end, the number of deaths has been growing ominously since then reaching the mark of more than 1.6 million victims worldwide and more than 180,000 in Brazil.

The who has been trying to capitalise on the process of combating this real scourge, but facing clashes of a political and economic nature and denialism. Meanwhile, helpless populations, facing conflicting information, pay with lives.

The guidelines for maintaining social distancing, correct use of protective masks and correct asepsis of the hands have not been rigorously observed, causing a greater number of fatalities.

Understandable the confrontation of the open breast pandemic by many, simply for lack of option. They are people who need to make use of public transport to work, who reside in small dwellings housing large family contingents, who do not have the resources to buy alcohol gel and even masks. And, not infrequently, unaware of elementary principles of hygiene.

The economic pressure from state and municipal governments, entrepreneurs and merchants, the unemployed as a result, is enormous. In addition to this situation, the unconsciousness of unbelieving populations of the warnings of health authorities, but that believing in criminal discourses increase the number of infected by the virus, potential vectors that are for contamination on an exponential scale.

Governments and politicians act and react by giving one in the harpsichord and the other in the horseshoe. They seek to “harmonize interests” as statistics grow!

What is most surprising is that with all the information that science disseminates daily, entire populations, around here, face crowded beaches, crowded streets, endless ballads and even clandestine with the greatest tranquility and, why not, irresponsibility.

As we are all endowed with free will – or freedom – it would be better to let life “run normally” as if nothing were happening, making the joy and happiness of many: governments, politicians, businessmen, denialists.

After all, if you go to the doctor for contagious treatment, do not follow him and worsen – or die – the responsibility is only yours and anyone else’s. Or not? He regrets only those around him!

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Livre Arbítrio, Liberdade ou o Que ? #612

Sem vacina e desconhecimento mundial sobre a magnitude da Covid-19, os primeiros passos dados pela ciência em todo o mundo foram de tentativa e erro. Alastrando-se pelo planeta a uma grande velocidade, com todos os países carentes de infraestrutura hospitalar adequada para enfrentar uma pandemia sem data para terminar, o número de óbitos veio crescendo sinistramente desde então atingindo a marca de mais de 1 milhão e 600 mil vítimas no mundo e mais de 180 mil no Brasil.

A OMS vem tentando capitanear o processo de combate a este verdadeiro flagelo, mas se defrontando com embates de natureza político-econômica e negacionismos. Enquanto isso, populações indefesas, enfrentando informações conflituosas, pagam com vidas.

As orientações para manutenção de distanciamento social, uso correto de máscaras de proteção e assepsia correta das mãos não vem sendo observadas com rigor, ocasionando um número maior de fatalidades.

Compreensível o enfrentamento da pandemia de peito aberto por muitos, simplesmente por falta de opção. São pessoas que precisam fazer uso do transporte público para trabalhar, que residem em habitações pequenas abrigando grandes contingentes familiares, que não dispõem de recursos para comprar álcool em gel e até mesmo máscaras. E, não raro, desconhecendo princípios elementares de higiene.

A pressão econômica por parte de governos estaduais e municipais, de empresários e comerciantes, de desempregados por decorrência, é enorme. Alie-se a esse quadro a inconsciência de populações descrentes dos alertas das autoridades sanitárias, mas que acreditando em discursos criminosos elevam o número de infectados pelo vírus, vetores em potencial que são para a contaminação em escala exponencial.

Governos e políticos agem e reagem dando uma no cravo e outra na ferradura. Procuram “harmonizar interesses” enquanto as estatísticas crescem!

O que mais surpreende é que dispondo de todas as informações que a ciência divulga diariamente, populações inteiras, por aqui, encaram praias lotadas, ruas aglomeradas, baladas infinitas e até clandestinas com a maior tranquilidade e, por que não, irresponsabilidade.

Como somos todos dotados de livre arbítrio – ou liberdade – melhor seria deixar a vida “correr normalmente” como se nada estivesse acontecendo, fazendo a alegria e felicidade de muitos: governos, políticos, empresários, negacionistas.

Afinal, se você vai ao médico em busca de tratamento contagioso, não o segue e piora – ou morre – a responsabilidade é apenas sua e de mais ninguém. Ou não? Lamenta-se apenas pelos que o cercam! 

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Até que ponto você é responsável pela irresponsabilidade de seu semelhante? #611

Nos últimos dias o mundo vem contabilizando número crescente de casos e consequências letais elevando a preocupação de agentes de saúde, infectologistas e OMS com a despreocupação com que populações – em todos os países – estão encarando as festas de Natal e celebrações de Ano Novo.

Por aqui, as medidas restritivas para o período ainda enfrentam resistência por parte do governo federal e seus apoiadores. Um crime!

Às populações não faltam dados e informações. O assunto é prioridade nas mídias. Mas enquanto viagens de Ação de Graças nos EUA bombaram, enquanto mais de um milhão de pessoas se juntou no velório de Diego Maradona, enquanto cariocas e paulistas lotam praias a perder de vista, cresce o grau de potencialização do vírus lotando leitos de UTI, sobrecarregando médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde até a exaustão.

Não se discute se uma população cansada merece abrir válvulas de escape para aliviar tensões; se merece dar vazão a seus instintos e anseios; se merece ser olhada com condescendência. Como ser gregário o homem – e a mulher, por óbvio – tem enorme dificuldade de viver isolado, apartado de seu bando. Compreensível o comportamento, mas a um custo cada vez mais elevado para inocentes incautos.

Não têm consciência de que estamos vivendo uma guerra real que ceifa vidas diariamente, destrói economias, desajusta seres humanos inconscientemente, levando a comportamentos esdrúxulos. A adaptação a uma nova realidade que pode não estar totalmente resolvida com vacinas de expectativa trará consequências outras de “pós-guerra”. Como em qualquer conflito bélico você entra nele como um e dele sai como outro!

Transferiu-se a responsabilidade e coordenação de medidas cautelares e de contenção da pandemia a governadores e prefeitos em grande parte carentes de recursos humanos, materiais, tecnológicos, econômicos. Somos um país que engloba culturas díspares, inculto por natureza, fácil de ser manipulado por meios de comunicação até recentemente estranhos. Uma população desorientada por notícias dispares de todos os lados vem pagando a conta com suas vidas. Perdas que caminham para 200 mil!  

A equação controle da pandemia x proteção das economias x preservação da sanidade mental da população, acrescida dos abomináveis interesses políticos sem nome, não é de fácil solução.

Mas estamos em guerra não declarada, aguardando que as vacinas – ainda que sob o jugo da politicagem – possam vir a ser o nosso Plano Marshall (o de recuperação econômica da Europa após a II Guerra Mundial)

Por tudo isso, e mais uma vez, cabe a indagação: “Até que ponto você é responsável pela irresponsabilidade de seu semelhante?

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Não somos seres unicelulares #610

Parece ter surgido uma luz no fim do túnel esta semana. 

“O governo do Reino Unido é o primeiro no Ocidente a autorizar uma vacinação contra a covid-19 e as autoridades indicam que doses fabricadas pela aliança entre a Pfizer e a alemã BioNTech poderão começar a ser aplicadas na população a partir da semana que vem. A medida, para técnicos da OMS, abre uma nova era e a possibilidade de uma imunização em massa. (UOL)

Este primeiro passo na busca de uma solução que possa poupar milhões de vidas no planeta – em uma pandemia negada tanto pelo governo dos Estados Unidos com Trump como por aqui com Bolsonaro – requer a ajuda da população que, ao que se percebe, não tem colaborado muito.

Os Estados Unidos – de longe o país mais atingido pela pandemia no mundo – registram mais de 13,7 milhões de casos e 270.450 mortes. Nesta terça-feira (1º) mais de 2.500 mortes por Coronavírus nas últimas 24 horas, o nível mais alto desde final de abril, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins. Os especialistas temem que as milhões de viagens feitas pelos americanos para comemorar o Dia de Ação de Graças, na semana passada, venham a provocar um aumento no número de contaminações que já não é pequeno.

Na Argentina por ocasião do velório de Diego Maradona estimou-se que mais de um milhão de portenhos estiveram aglomerados no último adeus ao ídolo-jogador. Aguarda-se uma piora nas estatísticas.

No Brasil já é de 6 milhões o número de casos e mais de 170 mil óbitos. Enquanto a Índia com uma população de 1,353 bilhão de pessoas lamenta a perda de 138 mil vidas o Brasil chora a morte de mais de 170 mil apesar de ter uma população 15.5% menor. O negacionismo vem cobrando sua conta sem piedade! “Afinal, vamos todos morrer um dia”, frase cunhada por nosso presidente!

E as praias continuam lotadas, o distanciamento social e uso de máscaras conforme orientação da OMS negligenciados, uma verdadeira insensatez!

Os países mais ricos deverão ser privilegiados quando as vacinas estiverem disponíveis e a logística equacionada. O resto da população do planeta – principalmente os países mais pobres, como sempre – aguardam pelo Deus dará!

A equação controle da pandemia + proteção das economias + preservação da sanidade mental da população, acrescida dos abomináveis interesses políticos sem nome, não é de fácil solução.

Lamentavelmente, o ser humano – dito racional – tem dificuldade de entender que a sobrevivência da espécie depende exclusivamente dele mesmo. Não é um ser unicelular, se é que tem ideia do que isso signifique.

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Quantos são os mandatos em uma vida? #609

Em 1900, a expectativa de vida era de 33,7 anos. Em 1960, de 52,5 anos. Para os que nascem em 2020, a média é de 76,7 anos e a projeção para os que vierem a nascer em 2040, 79,9 anos.

Como toda regra tem exceção, fique tranquilo, pois diariamente a previsão vem sendo quebrada por muitos, não é uma ciência, e o que vale mesmo é viver o nosso dia a cada dia.

Se sua idade é superior aos famosos 60 anos – considerado ponto de inflexão na geriatria – é praticamente de conhecimento comum que as doenças mais referidas e que acometem as pessoas após aquela idade são as cardiovasculares, diabetes, demência, osteoporose, tonturas, incontinência urinária, entre outras. 

Assistindo a um programa de TV em meu recanto de isolamento – sugerido pela ciência visando minha proteção contra o vilão da década, Covid-19 – um comentarista inconveniente lembra que o presidente-eleito dos EUA, Joe Biden – idade 78 –, deverá concluir apenas um mandato haja vista  a idade que terá daqui a 4 anos…

Afinal, segundo expectativa majoritária, creio eu, seria de se esperar que as funções cognitivas de alguém com a idade de Joe Biden já tenha perdido extremo vigor; mas tendo enfrentado uma maratona como a da ferrenha campanha presidencial contra um candidato tinhoso com Trump, a expectativa parece não se confirmar. Oxalá!

Assim, idade cronológica nestes tempos de altíssima tecnologia desenvolvida pela e para a área médica coloca por terra teorias sobre longevidade. Imagine-se a vovó de 50 anos atrás cuidando dos netos, fazendo crochê na cadeira de balanço, com pouca ou nenhuma atividade. E hoje, à fartura, avós com 80 anos e mais, ativíssimas, partilhando interesses extracurriculares.

As novas gerações de aposentados, ainda em plena forma produtiva, mas desativados por um sistema e economia perversos, com muita lenha para queimar, são os candidatos preferidos de muitas das doenças mencionadas. Cabendo sempre lembrar a frase “mens sana in corpore sano” (“mente sadia em corpo sadio”). O que me traz à mente uma que Augusto Hermes (meu pai) proferia à larga: “quando a cabeça não funciona o corpo padece”. Touché! 

Assim, meu caro ou minha cara, se você está enquadrado na camisa de força da idade, ou de um simples número, ajuste sua sintonia com carinho. Males todos os temos, mas fique de olho na sintonia. O tempo ruge, mas o leão é manso.

E.T. Em janeiro próximo termino meu 86º mandato de vida. Espero ser reeleito.

email: radeathayde@ponderando.com.br

Ainda Eleições #608

         São 195 os países independentes. O número de países com voto compulsório para eleger seus representantes é de apenas 31. Destes, 14 estão na América Latina, Brasil incluso. Ou seja, apenas 15.9 % dos Estados do planeta optam por esse sistema.

         Se o voto não fosse obrigatório este país certamente teria um perfil político transparente. Não me parece democrático obrigar-se alguém a votar. E ainda punir severamente os “insubmissos”. Se alguma razão existe, eu a desconheço.

         Nos Estados Unidos, como sabemos, não existe a obrigatoriedade. Apesar de possuirem um sistema eleitoral complicado e a meu ver injusto, os cidadãos apenas votam se estiverem convencidos de que deverão fazê-lo, por opção. A campanha do candidato democrata Joe Biden arregimentou uma extrbaordinária força de eleitores, de sindicalistas a estudantes universitários inclusive, que se dispuseram a votar porque acreditaram nas mensagens. Não foram obrigados, mas fizeram uso do direito democrático, opcional, de votar.

         A obrigação de votar por aqui – não o direito apenas – serve para facilitar a eleição de não poucos que buscam a imunidade constitucional para dar-lhes foro privilegiado quando – e se – suas falcatruas forem julgadas. 

         Acredito que com o voto facultativo a politização de nosso povo seria abrangente pois o processo de conscientização política, inevitável. O interesse por eleições, e consequentemente votar, se daria na medida em que propostas fossem consistentes e aceitas como legítimas. Caso contrário, a sociedade se manifestaria através do silêncio. E o recado estaria dado!

         A propósito: o Manual do Candidato às Eleições, escrito em 64 a.C, em Roma, por Quinto Túlio Cícero ensinava: “Você deve constituir amizades de todos os tipos: nomes ilustres, os quais conferem prestígio ao candidato; magistrados, para garantir a proteção da lei… Isso requer conhecer as pessoas de nome, usar de certa bajulação”.

         Nada mudou desde então!

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Verso e reverso de uma mesma moeda # 607

O presidente da República está prestes a perder sua referência, eis que a mudança do inquilino da Casa Branca – seu ídolo – no dia 20 de janeiro de 2021, deverá reconfigurar a linha de conduta e ação de governos mundo afora que – por interesses econômicos, geopolíticos e até ideológicos  – liam pela cartilha do ainda presidente por lá. Por aqui não será diferente. Restará apenas a saudade de um sonho não realizado.

Líder do país mais poderoso do mundo, militar e economicamente, Donald John Trump é um negacionista por excelência. Deixa, em seus quatro anos de governo, a marca de uma profunda divisão da sociedade norte-americana.

Como empresário de origem e ex-astro de reality show, já em seu primeiro mês de governo renegociou o Acordo de Livre Comércio com o Canadá e o México, lançou o projeto de construção de um muro anti-imigração entre os Estados Unidos e o México, proibiu a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, nomeou um juiz conservador para a Suprema Corte. Não foi pouco!

Fora dado o pontapé inicial para – em seu melhor estilo – derrubar tratados internacionais e acordos bilaterais.

Em junho de 2017 anunciou a saída dos Estados Unidos do Acordo Climático de Paris, no ano seguinte aumentou os impostos sobre aço e alumínio importados do México, Canadá e União Europeia, declarou guerra comercial com a China, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel, apesar da desaprovação internacional.

Em 2018 anunciou a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear internacional com o Irã e o restabelecimento das sanções americanas. O mundo levantou as orelhas!

Havia criado uma nova ordem política, social e econômica mundial para o bem ou para o mal. Não foi muito difícil, eis que o mundo inteiro – de uma outra maneira – era e é dependente do Estados Unidos. E ponto final.

Apesar de sucesso na administração da economia e geração de empregos até o advento da pandemia no início deste ano, encontrou no vírus letal – Covid-19 – um oponente à altura que o derrubou. Foi à lona por incompetência negando a existência da doença, desacreditando e desautorizando proeminentes da saúde na área epidemiológica mundial, chegando a retirar os Estados Unidos da OMS – Organização Mundial da Saúde – em Genebra na Suíça. Podia muito, mas não podia tudo! 

Seu país amarga hoje mais de 10 milhões de infectados. Trump perdeu a guerra no negacionismo e os Estados Unidos mais de 240 mil dos seus cidadãos.

O mundo gira rápido e em política não existe fraternidade. Os chefes de governos mais próximos de Trump foram, semana passada, os primeiros a enviar calorosas congratulações a John Biden e Kamala Harris, presidente e vice-presidente eleitos pelo Partido Democrata.  

Verso e reverso de uma mesma moeda!

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Geração Digital #606

Em entrevista à BBC (British Broadcasting Corporation) News Mundo, o neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França alerta: “Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento”.

Com dados concretos e de forma conclusiva, expõe como os dispositivos digitais estão afetando seriamente — e para o mal — o desenvolvimento neural de crianças e jovens. “As evidências são palpáveis: já há um tempo que o testes de QI têm apontado que as novas gerações são menos inteligentes que anteriores.”

Não estamos falando de um neurocientista qualquer, mas sim de alguém que já passou por centros de pesquisa renomados como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Seus estudos concluem que os jovens de hoje são a primeira geração da história com um QI (Quociente de Inteligência) inferior ao dos pais, uma tendência que foi documentada na Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda, França.

Vários estudos têm mostrado que quando o uso de televisão ou videogame aumenta, o QI e o desenvolvimento cognitivo diminuem. Os principais alicerces da nossa inteligência são afetados: linguagem, concentração, memória, cultura. Em última análise, esses impactos levam a uma queda significativa no desempenho acadêmico.

“São, em média, quase três horas por dia para crianças de 2 anos, cerca de cinco horas para crianças de 8 anos e mais de sete horas para adolescentes. Isso significa que antes de completar 18 anos, nossos filhos terão passado o equivalente a 30 anos letivos em frente às telas ou, se preferir, 16 anos trabalhando em tempo integral!” É simplesmente insano e irresponsável afirma o neurocientista.

As causas também são claramente identificadas: diminuição da qualidade e quantidade das interações intrafamiliares, essenciais para o desenvolvimento da linguagem e do emocional; diminuição do tempo dedicado a outras atividades mais enriquecedoras (lição de casa, música, arte, leitura; perturbação do sono, que é quantitativamente reduzida e qualitativamente degradada; superestimulação da atenção – levando a distúrbios de concentração -, aprendizagem e impulsividade; subestimulação intelectual – que impede o cérebro de desenvolver todo o seu potencial – e o sedentarismo excessivo que, além do desenvolvimento corporal, influencia a maturação cerebral.

Com o pensamento negacionista em evidência, interesses econômicos e financeiros poderosos bradarão aos quatro ventos tratar-se de mais uma sirene alarmista (a prejudicar seus negócios). Não é! É ciência!

Sugiro, portanto, a leitura na íntegra da entrevista do Dr. Michel Desmurget acessando

https://www.bbc.com/portuguese/geral-54736513

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A desatualização é um vírus letal #605

O emprego é um contrato de trabalho estabelecido entre duas partes, onde uma compra o conhecimento da outra para executar tarefas que visem atender os objetivos do contratante.

Simples assim, o contratado (empregado) vende seu conhecimento pelo valor de mercado que – como qualquer produto – depende das condições econômicas, políticas e sociais do momento.

Com isto em mente, é fácil compreender que a flutuação entre atender as necessidades de mercado e a dinâmica dos negócios valoriza – ou torna obsoleto – aquele que é o maior ativo que um profissional pode possuir: seu conhecimento!

Em tempos de desenvolvimento tecnológico acentuado como na última década – quando máquinas vem substituindo mão de obra e a exigência de conhecimentos técnicos variáveis, culturais e de relacionamento pessoal tem sido crescente – a desatualização é um vírus letal.    

A pandemia está acelerando a mudança radical do perfil dos negócios e das profissões. As leis ocultas de mercado são impiedosas, camufladas, apenas poupando profissionais que se mantem navegando, apesar das tormentas.

“Muitas carreiras desaparecerão e outras serão substancialmente alteradas. Até 2030, espera-se que a taxa de desemprego global cresça 4 vezes, dos atuais 4,9% para 20% (Fórum Econômico Mundial, The Future of Jobs)”. Alerta!

Lentamente, novas profissões estão surgindo enquanto muitas estão definhando, aguardando o ocaso. Nenhuma novidade quanto a isso já que há décadas o processo vem se acelerando. A título de curiosidade, profissões imprescindíveis como telefonista, linotipista, mensageiro, operador de mimeógrafo, datilógrafo, ator e atriz de rádio, lanterninha de cinema, arquivista já desapareceram.

Operadores de caixa e telemarketing estão na marca do pênalti. Na fila, digitadores, corretores de imóveis, caixas de banco, relojoeiros, contadores, agentes de viagem, carteiros… Falta-me espaço para continuar.

Por não outra razão, atualização permanente de conhecimentos e percepção aguda com capacidade de ler sinais e entrelinhas não apenas de sua profissão, mas também do em torno onde ela está inserida – política interna, externa, econômica, internacional – podem fazer a diferença no radar dos acontecimentos e sua influência onde atua.

Ficar um passo à frente pode ser um “plus” na manutenção de seu emprego. Isto significa ter perfeita noção que suas aptidões, formação e experiência correm o risco de ter caducado!

Novas profissões estão em curso, tendo as tecnologias como ferramentas indispensáveis e exigindo conhecimentos adicionais para sua reformulação, integrando ciências exatas às sociais como a medicina,  biologia, psicologia.

As Humanidades – não mais engessadas – passam a conviver com robôs que não são capazes de interpretar situações humanas, como dilemas sociais, valores, cultura, prioridade do certo e errado, entre outros. A máquina pode não ter essa sensibilidade, mas saiba que filósofos, antropólogos e psicólogos estão cada vez mais trabalhando com inteligência artificial, porque o sistema precisa de humanização. Novíssimos tempos!

O amanhã já chegou!

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